Mais de dois mil hectares do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, foram atingidos pelos incêndios que acometem o Estado há, pelo menos, um mês. Ainda assim, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) segue com o plano de privatizar a unidade de preservação.
A proposta tem sido levantada desde governos anteriores, como estratégia econômica. Em 2018, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) listou as unidades prioritárias em todo o país. A ideia é que até 2020 elas sejam concedidas à iniciativa privada.
Quando assumiu a pasta, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deu andamento nos projetos de concessão. A estimativa do governo é que ao menos 20 parques sejam privatizados até o próximo ano.
Em Chapada, o parque nacional existe há 30 anos. Ele não é a maior nem a menor área de conservação do governo federal. No entanto, com seus 32.630 hectares, recebeu mais de 179 mil visitantes em 2018. Foi o oitavo mais visitado do país, por isso – a visibilidade -, é uma das prioridades para a privatização.

Ao LIVRE, o governador Mauro Mendes (DEM) informou que a queimada na região “não foi muito expressiva”. Lembrou que sobrevoou a região com o ministro Ricardo Salles e comprovou que as queimadas aconteciam próximo ao perímetro urbano.
“Ainda é muito cedo especular ou imaginar que isso possa ter uma relação objetiva com o plano do governo federal”, ponderou Mendes.
Desde o dia 26 de agosto o LIVRE buscou contato com o Ministério do Meio Ambiente e ICMBio para saber a respeito das tratativas da concessão. A reportagem perguntou se o plano está mantido e qual seria o prazo para a privatização. Contudo, não obteve retorno.




