Ter um filho ou filha bilíngue, provalmente, é o desejo de muitos pais. Mas, além de proporcionar melhores oportunidades no futuro, falar mais que um idioma ajuda crianças a aumentarem suas capacidades de concentração, compreensão e comunicação.
A constatação é de um estudo realizado pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos. A pesquisa aponta, inclusive, que crianças autistas – que têm maior dificuldade em desenvolver essas capacidades – também são beneficiadas.
A pesquisa avaliou 100 crianças, parte delas autistas, com idade entre 7 e 12 anos. Um grupo vivia em famílias que falavam apenas um idioma. Outro, em famílias bilíngues, sendo a maioria falantes de inglês e espanhol.
O resultado das entrevistas com os pais mostrou que as crianças de famílias que falavam mais que um idioma tinham mais capacidade para…
- reprimir ações irrelevantes, ou seja, distrações
- manter algo em mente, o que os pesquisadores chamam de memória de trabalho
- alternar entre duas ou mais tarefas, por exemplo: brincar e guardar os brinquedos depois
Especificamente no caso das crianças autistas, o estudo ainda apontou uma redução dos principais sintomas, entre eles, os comportamentos repetitivos e a dificuldade de comunicação.
Além disso, todas as crianças bilíngues tinham mais facilidade em compreender as perspectivas de outras pessoas. Em outras palavras, eram mais empáticas.
A suposição que os pesquisadores fazem, até o momento, para explicar essas diferenças é que crianças de lares bilíngues exercitam mais funções do cérebro que “bloqueiam” ou “ativam” um idioma ou outro. Por isso, teriam esse maior controle sobre seus próprios comportamentos.
Agora, pesquisadores da Universidade da Califórnia querem dar continuidade à pesquisa. A intenção é avaliar 150 crianças mapeando, inclusiva, imagens de seus cérebros em funcionamento.