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Para Selma, possibilidade de anulação de condenações de Bosaipo é “desserviço”

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Gabriela Galvão

A juíza aposentada e pré-candidata ao Senado, Selma Arruda (PSL), vê a possibilidade de anulação das decisões que tomou em processos do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo, como um “desserviço”. Para Selma, outros condenados por ela, como o ex-governador Silval Barbosa e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, poderiam “pegar carona” na decisão, gerando um grande prejuízo para o Estado.

Frente a essa possibilidade, a juíza aposentada ressaltou que enviou um esclarecimento ao desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Marcos Machado, relator da ação de suspeição, pontuando os critérios para julgamento dos processos na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, onde atuava.

“Percebi que na oitiva da assessora ele não sabia o que era Justina Plena, o que era processo de relevância social, que são padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça e ele, como desembargador, não sabe. Senti necessidade do esclarecimento para que a decisão seja dada com o máximo de clareza. Tenho preocupação com essa decisão de cunho midiadiático”, explicou durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (24).

A polêmica em torno das decisões da juíza aposentada começou após insinuações de que seu critério para análise de processos seria definido pela “maior repercussão na mídia”. “Isso é muito triste. Esses ataques mancham um pouco minha história. Tentei fazer as cosias de forma tão honesta e correta e pessoas com 190 processos nas costas querem me transformar em ré. Daqui a pouco eu que vou ser presa pelo crime que eles cometeram, a bandida era eu”.

Na oportunidade, a pré-candidata também falou sobre a decisão da Comissão de Segurança do Tribunal de Justiça, que suspendeu sua escolta armada, mantida posteriormente pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Rui Ramos, até a próxima reunião da comissão.

Selma afirmou que a decisão é equivocada em ambos os argumentos utilizados, sendo eles de que não existem mais ameaças reais identificadas contra sua vida e de sua família e de que tem descumprido o protocolo de segurança. “Como magistrada, eu tenho direito a escolta e, como cidadã, tenho direito de entrar na política. Não é justo que digam: ou você fica viva ou entra na política. Não é lógico. Essa decisão precisa ser revista”.

Ela revelou que, na última sexta-feira (18), um conhecido presenciou uma conversa bastante estranha evolvendo seu nome numa padaria da capital. “A pessoa se assustou, chegou a fotografar e até onde consegui levantar era um parente de um policial que eu condenei, que excluí da polícia civil. Isso já está sendo investigado pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e deveria ser levado em consideração, assim como as outras ameaças que sofri recentemente”.

Quanto ao protocolo, ela disse ser impossível seguir. “Não existe um protocolo Nacional e esse não tem embasamento técnico, é inexequível. Se eu for seguir o protocolo, não posso sair de dentro de casa.  Ele foi elaborado pela Coordenadoria Militar, os juízes não foram ouvidos, é difícil conviver com algo unilateral, que fizeram para se garantir, para garantir a eficiência do próprio trabalho”.

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