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Para PGR, Blairo é “liderança mais proeminente na organização criminosa”

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Redação

Beto Barata/Presidência da República

Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, no lançamento do Plano Safra

Ministro da Agricultura, Blairo Maggi

Para a Procuradoria Geral da República, o esquema de corrupção em Mato Grosso evidenciado na delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) tinha como principal líder o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP).

VEJA A COBERTURA COMPLETA DA DELAÇÃO

No documento homologado no Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot relata a existência de uma organização criminosa instalada no alto escalão do Estado, que teria movimentado mais de R$ 500 milhões. O esquema, narra Janot, funcionou especialmente entre os anos de 2006 a 2014 – que corresponde ao segundo mandato de Blairo como governador e à gestão de Silval, iniciada em março de 2010.

Naquele ano, Blairo se licenciou do cargo de governador para se lançar à candidatura ao Senado. Em seu lugar, assumiu Silval, o vice, que deu continuidade ao governo e saiu vencedor da disputa eleitoral.

A divisão das tarefas, segundo a PGR, era dividida em três núcleos: agentes políticos e servidores públicos; operadores financeiros; empresários responsáveis pelos “retornos” (pagamento de propinas) aos agentes públicos, custeados com recursos públicos.

“Entre os agentes politicos, destaca-se a figura de BLAIRO BORGES MAGGI, o qual exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio SILVAL BARBOSA e JOSE GERALDO RIVA”, enfatiza Janot.

“O consórcio espúrio entre políticos e empresários tinha como objetivo obter recursos de forma ilícita para o enriquecimento ilícito de seus integrantes, para a manutenção da governabilidade e para o pagamento de dívidas de campanhas politicas”, complementa.

Início

Na delação, Silval relata que os esquemas de corrupção na sua gestão resultaram de dívidas herdadas do Governo Blairo, o que, segundo ele, o colocou “na posição de ter que continuar os pagamentos ilegais, a fim de garantir governabilidade”. 

Silval alega que deu continuidade ao pagamento de vários precatórios, como Encomind, Hidrapar, Andrade Gutierrez, além da concessão de incentivos ilegais a diversas empresas e setores específicos (frigoríficos, setor sulcroalcooleiro, biodiesel, setor atacadistas, transportadoras). 

“Esses formaram, por assim dizer, o primeiro bloco de ilícitos que participei no governo em troca de continuar a governabilidade e a manutenção do grupo político – continuação de pagamentos que já vinham sendo realizados na administração Blairo Maggi”, afirma.

A Procuradoria destacou que a organização criminosa agia em diversas frentes, cometendo crimes como operação ilegal de instituição financeira, gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

O ministro do STF, Luiz Fux, determinou a abertura de inquérito para investigar as denúncias contra o ministro e demais envolvidos.

Blairo Maggi

Em nota, o ministro Blairo Maggi ressalta que repudia afirmações de que tenha comandado ou organizado esquemas criminosos em Mato Grosso. “Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas”, pontua.

Blairo argumenta também que nunca autorizou ninguém “para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a Justiça”.

Por fim, disse que recebe “com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça”.

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