Pandemia aumenta mercado de cuidador de idosos. Mas como contratar?

Crise gerou alta de demanda e aumentou também o risco de contratação de pessoas sem formação adequada

(Foto: Pexels)

O isolamento e a restrições impostas pela pandemia fizeram aumentar a procura por cuidadores de idosos em Mato Grosso. Por causa da classificação de risco de contágio, os idosos estão praticamente impedidos de sair de casa e de receber visitas. 

Ao mesmo tempo, eles passam por fragilização da saúde e do psicológico, por causa do distanciamento. A alternativa que tem sido optada pelos familiares que têm condições para isso é contratar um profissional que possa passar algumas horas com essas pessoas e prestar serviços como administrar medicamentos ou, simplesmente, conversar. 

“A procura aumentou tanto que está acontecendo de pessoas sem formação passarem a assumir essa função, porque o mercado está escasso. E esse é um perigo para o qual é preciso chamar a atenção”, diz a professor de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Joana Darc Chaves Cardoso. 

Uma agência empregos que acompanha o mercado de cuidadores de idosos disse ao LIVRE que, somente neste ano, mais de 80 vagas estão em aberto e com tendência de aumento. 

Conforme o diretor de relações institucionais da agência, Jefferson Vendrametto, a pandemia gerou preocupação dupla pelo isolamento dos mais velho e pelo cuidado redobrado com a saúde deles, incluindo as medidas de proteção contra a covid-19. 

“Em geral, as pessoas estão mais preocupadas com a saúde. E, como idosos estão no grupo de risco, a preocupação com a qualidade de vida e cuidados aumentou”, disse. 

Formação 

A professora Joana Darc Chaves Cardoso diz que existem algumas observações que os familiares podem fazer no momento da entrevista do cuidador, para saber se ele está mesmo capacitado a prestar o serviço. 

Além do certificado de formação em curso específico, o profissional precisa mostrar conhecimento sobre medicamentos (a diferença entre drogas disponíveis no mercado, mas com diferentes dosagens ou prevalência de um componente) e administração deles ao idosos. 

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“Isso precisa muito ser ressaltado, porque o cuidador lida com a saúde das pessoas e, se o profissional não tiver algumas informações técnicas, poderá ocorrer acidentes e graves”, pontua. 

Também é preciso mostrar habilidade em lidar com as limitações que os idosos podem ter, visto que, em muitos casos, esse “paciente” estará acamado. Mesmo nessa situação, a higiene não pode ser suspensa e técnicas de dar banho ou acompanhar o idoso ao banheiro estão inclusas nas tarefas do cuidador. 

“E não é só isso. Além do cuidado para não deixar o idoso cair, é preciso saber agir caso ocorra algum acidente. O cuidador precisa saber como dispor o idoso até que chegue o socorro. E, se for o caso, checar se houve ferimento ou ligar para alguém”, comenta. 

Cuidador e não doméstico 

Os especialistas ressaltam ainda que o trabalho do cuidador se limita aos cuidados diretos com o idoso, que inclui alimentação, agenda médica e recreação (acompanhamento em passeio em locais seguros, conversação, leitura de livros, etc.).  

As funções do trabalho doméstico ficam de fora. A atenção ao idoso deve ser exclusiva durante a jornada de trabalho, que pode varia de quatro a seis horas diárias. 

(Foto: Andrea Piacquadio / Pexels)

“Os cuidadores estão dentro dos lares para oferecer os cuidados básicos de saúde e monitorar o desempenho do paciente. Eles não são empregados domésticos e nem médicos e, por isso, a importância do curso, ensinando a estes profissionais quais são os limites da profissão”, pontua o diretor Jefferson Vendrametto. 

Conforme ele, o ganho depende das especificações de cada profissional, mas pode chegar a R$ 3 mil. A formação necessária é, no mínimo, um curso de 148 horas, que envolve elaboração de atividades recreativas, prevenção de acidentes e prestação de socorro em caso de acidentes, por exemplo. 

População em estudo 

A professora Joana Darc Chaves Cardoso diz que o Departamento de Enfermagem da UFMT lidera um estudo, em parceria com uma universidade canadense, para o conhecer o perfil e as necessidades da população acima de 60 anos em Cuiabá. 

A situação de vida desse público, diz ela, é pouco conhecido, mas informações disponíveis apontam para a necessidade de maiores cuidados. Por exemplo, a Medicina aponta que a doença de Alzheimer é o tipo de demência que mais afeta essa população. 

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E os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que, até 2019, entre 130 e 140 idosos dependiam da rede pública de saúde para controlar a doença.

Além dos efeitos psicológicos, eles têm prevalência de doenças mais comuns como diabetes, problema físico, pressão alta e AVC (acidente vascular cerebral). 

O levantamento de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 12% da população de Cuiabá está na faixa etária considerada de terceira idade.

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