O governador Mauro Mendes disse que o processo do leilão arroz do governo federal causa “no mínimo estranheza” para quem tem acompanhado o assunto. Segundo ele, o lastro das empresas que tinham vencido licitação não assegurava a compra.
“Os indícios, no mínimo, são estranhos, mas eu não quero cometer a injustiça de condenar ninguém. Quem tem que investigar são os órgãos responsáveis. Agora, eu, como qualquer cidadão, vejo com certa estranheza o tipo, o perfil das empresas ganhando um leilão do tamanho que o do arroz”, afirmou.
A licitação foi cancelada por suspeita de direcionamento da concorrência. A polêmica coloca no centro das suspeitas dois políticos de Mato Grosso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o ex-secretário de Políticas Agrícolas, Neri Geller.
“Não coloquem o nome de Mato Grosso, isso não tem nada a ver com Mato Grosso, coloquem o nome de pessoas”, disse o governador.
Fávaro e Geller chegaram aos seus respectivos postos pelo apoio à candidatura a presidente de Lula em 2022. Eles trabalharam juntos na campanha de dois anos atrás, tanto para presidente quanto para o governo estadual, de oposição a Mauro Mendes.
Geller perdeu o cargo na semana passada por causa dos indícios de irregularidades no leilão. Ele foi demitido diretamente por Fávaro. O ex-secretário se isentou dos problemas do leilão e disse que o modelo foi decidido pelo gabinete do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
Fávaro está sendo pressionado a sair do cargo, porque não teria esclarecido as suspeitas sobre leilão. O ministro depôs na quarta-feira (20) na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Outro político de Mato Grosso, deputado federal José Medeiros (PL), pediu o afastamento.




