14 de abril de 2026 07:14
Crônicas Policiais

Operação mira quadrilha responsável por adulterar e fraudar medidores de energia

operação furto de energia elétrica
Foto de Redação
Redação

A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis deflagrou, hoje (24), a segunda fase da Operação Cattus contra investigados por fraudar e adulterar medidores de energia elétrica.

A operação de combate ao furto e perda de energia cumpre 11 mandados judiciais, sendo 4 de prisão temporária e 7 de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas.

A investigação da Derf de Rondonópolis identificou os responsáveis pela operacionalização da fraude e apontou que 4 pessoas teria se associado para adulterar medidores e furtar energia elétrica, entre elas está um estabelecimento comercial que também é alvo da operação e teria se beneficiado dos mecanismos fornecidos pela suposta associação criminosa.

Segundo a Polícia Civil, J.F.D.J., junto com outros 4 comparsas, fazia a adulteração de medidores de energia elétrica em Rondonópolis. E, para isso, eles contaram com apoio e participação de funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços à Energisa, concessionária de energia elétrica do estado.

De acordo com a concessionária de energia elétrica do estado, apenas em 2023, a empresa registrou uma perda de 728 mil gigawatts em decorrência de fraudes e furtos de energia, o que corresponde a 14% de perdas não técnicas. Com isso, o Estado deixou de arrecadar R$ 150 milhões em impostos.

Apreensão operação furto de energia elétrica
(Foto: PJC MT)

Funcionamento do esquema

Consta no inquérito da Polícia Civil que 3 investigados são sócios em uma empresa que presta serviços elétricos e seriam os responsáveis pela adulteração dos medidores e instalação nas residências de pessoas interessadas na utilização do mecanismo fraudado.

Outro investigado, também integrante da suposta associação criminosa, seria responsável pela arregimentação de clientes interessados na fraude e fornecimento de software para operar a adulteração de medidores.

F.D.S.B., trabalhava em uma empresa terceirizada que presta serviços à Energisa e, segundo a Polícia Civil, era o responsável pela venda de lacres de segurança que garantem a segurança do medidor de energia e a troca de medidores.

Ainda conforme a PJC, ele também fornecia material como uniformes, botinas e lacres com a identificação da concessionária. Esses materiais eram usados pelos executores das fraudes para se passarem por funcionários da concessionária e não chamar a atenção no momento da instalação dos medidores adulterados.

Além da adulteração dos medidos, os investigados ainda explicavam como a pessoa interessada devia proceder. J.F.D.J. orientava o interessado na fraude a ligar na concessionária e solicitar um pedido aleatório. Com o protocolo do pedido, ele entrava em contato com outro investigado, que por sua vez acionava um funcionário da concessionária em Cuiabá, que gerava uma ordem de serviço para a troca de medidor compatível com o processo de adulteração, recebendo R$ 300 por medidor trocado.

Em outra frente criminosa, F.D.S.B. simulava fiscalizações da concessionária, forçando os clientes da Energisa que usavam medidores fraudados a pagar valores para não serem autuados.

A investigação apontou que, após realizarem a fraude em medidores, eles criavam outra situação, simulando a fiscalização para lucrar tanto na adulteração quanto na suposta fiscalização. Ele vendeu a um dos comparsas um pacote com 100 lacres de medidores pelo valor de R$ 400,00.

Com os lacres em mãos, dois investigados manipulavam os equipamentos para implantar a central dentro dos medidores, fazendo o lacre e deslacre sem gerar problemas aos donos das unidades consumidoras.

A equipe da Derf de Rondonópolis apurou ainda que o responsável em fornecer o programa de computador para adulteração dos medidores de energia disse aos comparsas que estava operando um novo mecanismo de adulteração, por leitura em cabo óptico. Apenas usando o computador, ele conseguiria fazer as adulterações e cobrava de R$ 800 a R$ 1 mil por adulteração, conforme o modelo do medidor.

Ele disse ainda que conseguiu o software com uma pessoa em Cuiabá e que para operar o programa era necessário apenas um desktop com capacidade de memória de 3 terabytes, pelo qual conseguia adulterar qualquer medidor com leitura óptica ou medidores digitais.

Apreensão lacres operação furto de energia elétrica
(Foto: PJC MT)

Clientes da associação

A investigação identificou 3 pessoas, entre elas o dono de um lava jato, que se beneficiaram do esquema criminoso de fraude de energia.

Informações reunidas no inquérito mostram que, em fevereiro de 2022, dois investigados fizeram uma tratativa sobre o dono de um lava jato que estava interessado em fraudar o medidor de energia do seu estabelecimento. A indicação do estabelecimento foi feita por outra pessoa que já tinha se beneficiado da adulteração do medidor de energia elétrica.

Em março de 2022, um dos investigados que operava o esquema entrou em contato com um provável cliente interessado na adulteração do medidor energia de sua residência.

O responsável pelo esquema explicou ao “cliente” a melhor forma de adulteração, que era uma técnica conhecida como “bastão”, em que o equipamento adulterador é posicionado na frente do medidor e a fraude é feita pela alteração de campo magnético, que desliga o aparelho e consequentemente não registra o consumo de energia.

A equipe da Derf apurou que os principais mecanismos usados para adulterar os medidores
são o controle, com a instalação da central diretamente no medidor de energia, quando o dono da unidade consumidora aciona o mecanismo conforme sua conveniência.

Já o bastão, idêntico a uma taser, adultera o medidor de energia sem a necessidade de violações do aparelho, diferente do mecanismo controle.

Cattus primeira fase

Em fevereiro de 2022, a Polícia Civil deflagrou a primeira fase da operação de combate de furto de energia elétrica em Rondonópolis. Uma empresa com 15 unidades comerciais do ramo de venda de salgados foi alvo de investigação por furtar energia elétrica com a adulteração dos medidores de energia e a utilização de equipamentos eletrônicos qpara fraudar o consumo.

A operação contou com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da concessionária de energia e foi constatado pela perícia que, pelo menos, 8 lojas apresentaram indícios de furto de energia.

(Com Assessoria)

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