O triste retorno ao presencial: MT ainda tem escolas sem banheiro

Dados apresentados pelo TCE mostram que algumas unidades escolares não têm sequer saneamento básico

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Dá para imaginar ficar cerca de 5 horas, 5 dias por semana, em um lugar sem banheiro, sem água e até mesmo energia elétrica e ainda assim aprender? Pois bem, esta é a realidade de muitas crianças do ensino público em Mato Grosso.

Os dados são de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT).

Conforme as estatísticas apresentadas pelo Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB), com base no Censo Escolar da Educação Básica 2020 – INEP/MEC, o Estado tem 58 escolas, entre municipais e estaduais, que não possuem banheiro.

E os problemas de saneamento básico não acabam por aí. Em 92 não há água potável; 16 não têm abastecimento de água; 68 não têm rede de esgoto; e 32 não possuem sequer energia elétrica.

São para estas unidades que centenas de alunos vão retornar quando as aulas presenciais forem restabelecidas, o que tende a não demorar por conta dos avanços na campanha de vacinação contra a covid-19.

Guilherme Maluf é conselheiro e presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Quando a pesquisa foi realizada, Mato Grosso tinha 2.265 escolas, sendo que 1.498 eram municipais e 767 eram estaduais. Ao todo, as unidades tinham, juntas, 739.284 alunos matriculados.

De acordo com o presidente do TCE-MT, conselheiro Guilherme Maluf, em tempos de pandemia, em que as escolas precisam implementar os protocolos básicos de biossegurança para retomar as aulas presenciais, os dados são fundamentais para auxiliar os gestores na adoção das medidas corretivas.

“A existência de banheiros, rede de esgoto, acesso à água potável, são pontos cruciais para implementação dos protocolos de segurança sanitária para conter a proliferação da covid-19 e vemos que em muitas escolas de Mato Grosso não se têm o mínimo. Da mesma forma a internet, fundamental nesse momento de acesso remoto”, destacou Maluf.

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Nem todos conectados

Outro dado importante apresentado pelo estudo é com relação a Internet, que é ausente em 178 unidades, somando as estaduais e municipais. Vale lembrar que das que possuem o recurso, nem todas dispõem da qualidade esperada, já que 973 não estão com o serviço de banda larga.

Informações detalhadas por rede

No caso das escolas da rede municipal de ensino de Mato Grosso, eram 377.830 alunos matriculados em 2020, sendo que das 1.498 escolas, 149 não possuíam internet (9,95%), 596 não tinham banda larga (39,7%), 41 não contavam com banheiro (2,74%), 35 estavam sem rede esgoto (2,34%), 8 sem água (0,53%), 26 sem água potável (1,74%), 25 sem energia (1,67) e 666 não tinham pátio ou quadra coberta (44,46%).

Já no que se refere às 767 escolas da rede estadual, que contavam com 361.454 mil alunos matriculados, 29 não tinham internet (3,78%) e 377 não contavam com banda larga (49,15%), 17 não possuíam banheiro (2,22%), 33 estavam sem rede de esgoto (4,30%), 8 sem água (1,04%), 66 sem água potável (8,60%), 7 sem energia (0,91%) e 228 não tinha pátio ou quadra coberta (29,73%).

O que diz a Seduc?

A reportagem do LIVRE entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação para comentar as estatísticas, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O espaço continua aberto para manifestações.

(Com Assessoria)

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