18 de abril de 2026 00:36
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O que é zerar emissão de carbono e por que o Estado comprou a ideia?

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

A concentração de gases-estufa na atmosfera é um tema antigo e começou a ser medida em meados do século XIX. De lá para cá, a indústria e a agropecuária se desenvolveram em ritmo acelerado, o que, em tese, também acelerou a emissão do carbono e outros gases que elevariam a temperatura da Terra.  

Agora, o assunto foi comprado por Estados e líderes econômicos, com a cobrança de estabelecer metas para reduzir e neutralizar a emissão desses gases e o impacto no meio ambiente.  

Essa virada teve início no setor privado, até chegar aos órgãos públicos, e o motivo tem a ver com a sustentação da economia nas próximas décadas. A diretora do Instituto Centro Vida (ICV), Alice Thuault, diz que os produtores precisam pensar agora como será feita a criação de gado, por exemplo, daqui 15 anos. 

“Daqui alguns anos, o rio que existe hoje não estará mais lá da mesma forma e o gado vai continuar precisando beber água e o pasto ser irrigado. A mudança na redução do volume d’água tem a ver com o desmatamento e as queimadas, que geram emissão de carbono”, afirma. 

Mas o que é a emissão de carbono? 

Estudos apontam que a maioria das ações na Terra geram a emissão de carbono. O aumento da produção industrial e agropecuária teria aumentado a quantidade do gás no ar em um volume que a natureza não conseguiria eliminar por si só. 

Na produção agropecuária, a maioria da emissão vem da criação de gado. As principais fontes são o metano de arrotos do gado e do esterco. 

Governador Mauro Mendes em conferência sobre o clima na Dinamarca, onde tentou vender a imagem de Mato Grosso como um celeiro de alimentos sustentável (Foto: Reprodução/Secom MT)

A fermentação entérica, um processo digestivo natural nos animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras, e o estrume deixado no pasto são modos de emissões agrícolas.  

Mas as queimadas descontroladas seriam as principais responsáveis por essa emissão na pecuária. Na agricultura, o desmatamento em larga escala, que empobrecem as chances de renovação natural do ambiente.  

A concentração do metano, carbono, óxido nitroso e do clorofluorcarboneto, que em quantidade regular filtram a radiação infravermelha, geram o aumento da temperatura e sensação de calor (efeito-estufa). 

A defesa empresarial 

As empresas privadas entram na linha de cobranças por controle das emissões de gases-estufa por aumento da pressão da opinião pública para boicotar a produção com grande volume emissão. 

A avaliação da diretora Alice Thuault é que, daqui algumas décadas, as atividades econômicas podem ficar inviáveis para os produtores que não adotarem medidas de redução ou neutralização do carbono. 

A avaliação dos efeitos econômicos em larga escala acaba atraindo governos a também entrar na defesa da sustentabilidade – alertado por consideração geopolítica. Como foi o caso do Governo de Mato Grosso, que nesta semana apresnetou uma série de metas que pretende cumprir. 

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Ainda conforme Thuault, as mudanças na produção passam pela fiscalização e monitoramento de queimadas e desmatamentos, inclusão da agricultura familiar no cenário econômico e criação de novas canais de preservação dos rios e áreas ambientais. 

A estimativa feita pelo ICV, em 2015, calculava a necessidade R$ 40 bilhões para colocar as mudanças em andamento, mas essa quantia já considerada defasada. A maior parte iria para o próprio agrobusiness. 

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