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Opinião

O que é mais importante: Neymar ou cinco meses de trabalho só para pagar impostos?

O brasileiro trabalha cinco meses somente para pagar impostos
Foto de Junior Macagnam
Junior Macagnam

Por algumas horas, a escalação da seleção brasileira de futebol mobilizou milhões de brasileiros nesse 18 de maio, especialmente, aqueles que torciam pelo atacante Neymar. Porém, um outro assunto deveria ser notícia e chamar nossa atenção em maio: o fato de que o brasileiro trabalha cinco meses somente para pagar impostos.

E o fim deste mês traz um dos exercícios de cidadania mais práticos que o varejo brasileiro pode oferecer: o Dia Livre de Impostos (DLI). No dia 28 de maio, Cuiabá e o País vestirão novamente a camisa da conscientização para mostrar, com números e produtos reais, o tamanho do peso tributário que sufoca o bolso do consumidor e a competitividade do setor produtivo.

Criado há mais de duas décadas pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), através da CDL Jovem, o DLI não é uma simples promoção. Não se trata de “desconto” nem de “liquidação”. Trata-se de um manifesto prático: por um dia, em centenas de lojas, o consumidor poderá adquirir determinados produtos livres de qualquer tributo. O preço final será exatamente o preço de custo. E é aí que a verdade aparece.

E qual é essa verdade? Que o brasileiro médio trabalha os cinco primeiros meses do ano exclusivamente para pagar impostos. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o Brasil amargou a última posição no ranking do Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES). Ou seja: pagamos muito, 32,4% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) vira carga tributária e recebemos pouco em troca. Saúde pública lotada, educação deficitária, segurança falha e infraestrutura que não acompanha o crescimento da cidade.

A proposta do DLI é simples, mas poderosa: o empresário escolhe itens da sua loja e os coloca à venda sem impostos. Em 2025, tivemos mais de 900 estabelecimentos aderindo em Cuiabá, com resultados impressionantes. Para 2026, nossa expectativa é ainda maior. Teremos a participação de quatro postos de combustíveis com a venda de 1.500 litros de produtos em cada um, sem impostos, além de eletrodomésticos, roupas, calçados, materiais de construção e itens de supermercado participando da ação.

Como presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), convido empresários, consumidores e poder público a abraçarem essa causa. Empresário: cadastre sua loja, escolha seus produtos e participe. Consumidor: venha conferir, compare e reflita. Poder público: entenda que esse movimento não é contra o Estado, mas sim a favor de um Estado mais eficiente, que faz entregas com qualidade.

Você está convidado a fazer parte dessa corrente de conscientização. Porque impostos são necessários, mas o retorno deles para a sociedade precisa ser justo, visível e de qualidade. Junte-se a nós. Por um Brasil com menos impostos e mais retorno de qualidade.

*Júnior Macagnam é empresário do setor da moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).

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