O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou relaxar a prisão do empresário Andreson de Oliveira Gonçalves para domiciliar. A mudança foi autorizada, segundo o ministro, porque o tempo de prisão do investigado, em regime fechado, já teria superado o razoável.
Andreson de Oliveira é acusado de ser o lobista em um esquema de venda de sentenças judiciais em tribunais de justiça de vários Estados, incluindo Mato Grosso, e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ele já havia recebido relaxamento de prisão em 2025 sob justificativa de severa desnutrição. Mas em novembro fora emitida novamente a ordem de retorno para o regime fechado, porque o empresário continuaria a cometer os crimes de casa.
O ministro Zanin disse que não ficou comprovado que Andreson de Oliveira teria tentado atrapalhar as investigações durante a prisão domiciliar anterior. Zanin afirmou ainda que o lobista está preso por mais tempo do que o necessário para a Polícia Federal investigar os crimes atribuídos a ele.
Andreson de Oliveira foi preso pela primeira vez em 2024. A polícia descobriu o esquema de venda de sentenças durante a investigação do assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido no final de 2023.
O aprofundamento da análise levou a suspeitas de corrupção dos desembargadores Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho por venda de decisões. Os magistrados estão afastados do cargo desde agosto de 2024.
O caso também se estendeu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), onde cinco magistrados foram afastados, também sob suspeita de corrupção. Há indícios de que o esquema tenha chegado a gabinetes de ministros do STJ.