14 de abril de 2026 20:37
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Merenda não é para encher barriga; entenda como funciona a alimentação escolar

Foto mostra três crianças sentadas, na hora da merenda escolar, com pratos vazios entre as mãos
Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

As escolas estaduais de Mato Grosso recebem R$ 1,52 para financiar a alimentação escolar de cada um dos alunos matriculados em um turno de 4 horas. Do total, R$ 0,36 vêm do governo federal e R$ 1,16 do governo do Estado. Esse valor é suficiente apenas para comprar um pão francês em algumas padarias da cidade, porém, dentro das unidades precisa contemplar um prato com 473 calorias.

Conforme as regras estabelecidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), cada uma dessas refeições precisa ter: entre 55% a 65% de carboidrato, entre 10% a 15% de proteína e entre 15 a 30% de lipídios. Além disso, existe uma série de outras exigências, como a presença de 75% dos alimentos in natura, sendo 10 alimentos naturais por refeição.

Nutricionista e responsável técnica pela Alimentação Escolar na Secretaria de Educação de Mato Grosso (Seduc), Lizia Soares Penido explica que é preciso ter muito “jogo de cintura” na hora de confeccionar os cardápios para que eles atendam o que preconiza a lei e tenham flexibilidade para se adequar às ofertas de alimentos e sazonalidades de cada região.

Segundo a especialista, é preciso reforçar que, mesmo sabendo das restrições alimentares de alguns alunos e entendendo que existem crianças que têm a popular “merenda” como única refeição do dia, a alimentação escolar não é um programa assistencial que se propõe a atender todas as necessidades nutricionais do aluno.

O objetivo dela é oferecer alimentos saudáveis, contribuir para o rendimento escolar e trazer informações saudáveis aos estudantes.

Quem compra? Quem faz? E como faz?

Lizia explica que a alimentação escolar funciona de forma descentralizada. A Seduc elabora os cardápios, que são absorvidos pelas unidades e flexibilizados de acordo com a oferta de alimentos locais.

Segundo a nutricionista, o sistema foi mudando ao longo dos anos, desde a década de 1950, quando a comida começou a ser ofertada dentro da escola. O modelo atual se tornou mais adequado, por conta dos avanços nutricionais e questões logísticas.

Por exemplo, seria muito difícil comprar alimentos in natura e distribuir para os municípios, levando em consideração as distâncias que envolvem o transporte em Mato Grosso. O resultado desse longo processo certamente seria o comprometimento dos alimentos.

Sendo assim, cabe a cada escola, depois de escolher os cardápios e as substituições possíveis, comprar e fazer a merenda que será distribuída.

Junior Silgueiro/Seduc MT

O que precisa melhorar?

Na opinião de Lizia, para melhorar a elaboração dos cardápios, seria importante haver uma lista de quem são os agricultores familiares de cada região, o que produzem, em que quantidade e em qual período do ano. A informação permitiria a construção de cardápios mais regionalizados, bem como facilitaria o processo de aquisição por parte das escolas.

Ela diz que a demanda é antiga, mas requer uma grande complexidade de execução. No Brasil, ela tem conhecimento de algo parecido apenas no Distrito Federal. Contudo, levando em consideração as questões espaciais, dificilmente conseguiria ser aplicado em Mato Grosso, que é o 3º maior Estado do país, atrás apenas do Amazonas e do Pará.

No que diz respeito aos demais produtos, ela lembra que, em alguns municípios, as escolas não conseguem comprar dos estabelecimentos locais, por conta da falta de adequação documental dessas empresas. Fator que prejudica o uso da merenda como fomento da economia.

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