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Mais de 500 crianças vivem em abrigos temporários em MT

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Livre

Jana Pessoa/Setas

adoção

Maioria das criança que vivem em abrigos é de meninas. Faixa etária mais comum é dos 6 aos 11 anos de idade

Uma conta que não fecha. De um lado, 862 pessoas aguardam em Mato Grosso a oportunidade de adotar um filho. De outro, 519 crianças e adolescentes vivem em abrigos ou lares provisórios no Estado. Entre eles, um processo longo que nunca é concluído sem que sejam esgotadas todas as tentativas de devolver esses menores às famílias de origem.

Os números da lista de pretendentes são do Cadastro Nacional de Adoção, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a quantidade de crianças e adolescentes é do Censo 2016 do Sistema Único de Assistência Social.

Crianças em abrigos provisórios - faixa etária

De acordo com este levantamento, Mato Grosso possui hoje 75 unidades de acolhimento para menores. São abrigos mantidos por prefeituras que recebem crianças e adolescentes retirados do convívio familiar para sua proteção ou porque viviam em situação de abandono.

A maioria é de meninas, 263 do total de 519. E a faixa etária mais comum é dos 6 aos 11 anos de idade, são 165. Mais de 300 delas vivem em cidades classificadas como de pequeno porte, embora o relatório não especifique quantos habitantes, em média, há nesses municípios.

Mas como a adoção é a última alternativa, somente 79, segundo o CNJ, desse total de mais de 500 menores está apto a receber uma nova família. Para a presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara), Lindacir Rocha, o que falta é agilizar o processo de decisão sobre o futuro dessas crianças.

Superada essa fase, outro desafio se apresenta: de acordo com a promotora de Justiça de Nova Xavantina, Maria Coeli Pessoa Lima, boa parte dos menores que estão na fila de espera por novos pais não se encaixa no perfil procurado pelos pretendes: crianças com até 1 ano de idade, de pele clara e que não apresentem problemas de saúde.

Crianças em abrigos provisórios - tempo de permanência

O conjunto da situação faz surgir uma situação que a promotora classifica como “nefasta”: a entrega de crianças – muitas vezes ainda no hospital – para pessoas que não estão cadastradas no sistema de adoção. De acordo com Maria Coeli, a prática é comum e tem crescido cada dia mais.

“O cadastro não funciona, vai ficando desacreditado. As pessoas deixam de procurar por ele e isso é péssimo”, reclama a promotora, segundo quem, em cinco anos atuando em Nova Xavantina, só viu uma adoção ser realizada seguindo todo o trâmite processual.

“A gente vê enfermeiros e médicos mesmo falando de casais que querem crianças ao invés de fazer o encaminhamento correto para essas mães que não querem os bebes, que seria enviá-las para a Vara da Infância e Juventude”, completa Lindacir.

Para a presidente da Ampara, falta informação, tanto para os profissionais da saúde, quanto para as mulheres que, por ventura, se vejam grávidas de forma indesejada. “Nós trabalhamos muito com essas gestantes, mas é um assunto que precisa ser melhor divulgado e a gente tem limitações nessa divulgação”, pontua.

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