Os livros didáticos comprados pela Secretaria de Educação de Cuiabá têm defasagem de pelo menos 10 anos. O tempo pode estimado pelas informações que constam neles, conforme avaliação do presidente do Tribunal de Contas (TCE), conselheiro Sérgio Ricardo.
Por exemplo, o livro sobre educação financeira ensina sobre como medir gastos e economia pessoal com base no salário de “aproximadamente R$ 700”. O salário-mínimo atingiu R$ 724 no ano de 2014. No ano anterior, ele estava em R$ 678.
Essas correções do valor indicam que o conteúdo dos livros pode ter informação com defasagem entre 13 e 14 anos. A Secretaria de Educação comprou cerca de 50 mil unidades desses livros. A quantidade foi atualizada pelo conselheiro Sérgio Ricardo em uma live no domingo (31). O primeiro número divulgado durante a vistoria era de 16,8 mil unidades.
“A secretaria adquiriu muito material desnecessário e inutilizável, 50 mil livros de educação financeira, pelo menos, para zero utilização. Em momento nenhum houve utilização [dos livros] porque não tem a matéria no currículo das escolas municipais”, afirmou.
O conselheiro já tinha anunciado que outros livros comprados pela Secretaria de Educação vinham com problema de edição. O de língua portuguesa teria o erro crasso de troca de “mas” por “mais”. Outro indício de falha apontado é a produção do conteúdo por inteligência artificial (IA).
Na averiguação do estoque da secretaria também foram encontrados livros sobre informática que igualmente não teriam sido utilizados na rede pública de ensino básico. Nesse caso, os alunos até receberiam notas em boletim sem terem praticado em aula.




