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José do Carmo: o milagreiro que nasceu de uma tragédia

Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

A travessa Comandante Soido, no bairro Porto, foi palco de uma tragédia que comoveu toda a sociedade cuiabana. Um homem foi assassinado por engano naquele local e, segundo as crendices populares, sua alma ainda ronda a região.

O crime aconteceu há muitos anos, quando a cidade tinha poucas edificações e as ruas eram meros “trieiros”, mas jamais foi esquecido.

Foto atual do local onde o marinheiro José do Carmo foi morto e enterrado. (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Desde a morte, uma cruz marca o exato lugar da execução, onde, até os dias de hoje, as pessoas acendem velas em agradecimento ao espírito da vítima, que se tornou milagreiro.

Para quem é da cidade e diz não conhecer a via, vale lembrar que ao longo dos anos ela recebeu a alcunha de Beco da Lama, Beco Quente, Beco da Marinha ou Beco José do Carmo, que é o nome da vítima em questão.

Pesquisador e administrado da página do Facebook “Cuiabá de Antigamente”, Francisco das Chagas conta que a história envolve um fato real, que se uniu à superstição e ao misticismo.

Conforme Francisco, José do Carmo era marinheiro e muito querido na comunidade. Não tinha nenhum desafeto, porém foi confundido quando retornava para casa.

Devido ao breu que tomava conta da cidade, ainda sem iluminação pública, o atirador pensou que ele era o alvo de quem queria se vingar e atirou com uma garrucha.

Travessa Comandante Soido, Beco da Lama, Beco Quente ou Beco José do Carmo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

José morreu no local e lá mesmo foi enterrado.

Moradores da região ficaram aterrorizados com o caso e marcaram com uma cruz negra o portão da casa, onde ele estava enterrado em frente.

Em seguida, começaram a acender velas no começo da noite. Diziam que era para afastar as trevas que assombravam o marinheiro.

Com o tempo, apareceram os primeiros pedidos e relatos de bençãos e milagres. A partir daí, foi um passo para que grupos inteiros se reunissem no ponto, para orar e levar ao espírito de José seus pedidos de ajuda.

José, me salve da palmatória

Na década de 1920, a professora Mariana Moreira, esposa do prefeito Neco Moreira, fazia um jogo educacional que seria condenado nos dias de hoje.

Toda quarta-feira, ela fazia perguntas aos alunos sobre história, tabuada e ciências. Quem acertava, podia manusear a palmatória no perdedor.

O método tirava o sossego das crianças, que não se cansavam de pedir ao espírito de José do Carmo que intercedesse, ajudando-as na competição para serem vencedores.

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