Um estudo da Universidade da Pensilvânia descobriu que ferramentas de inteligência artificial aprenderam a “cooperar” para manipular preços e aumentar os próprios lucros. Sim, elas estão criando cartéis! E podem estar fazendo isso agora, no mercado financeiro que regula o preço de tudo que consumimos. Do pãozinho à gasolina.
Os pesquisadores analisaram IAs desenvolvidas especificamente para serem usadas por traders —profissionais ou empresas que compram e vendem ações, moedas e outros ativos para ganhar dinheiro com a variação de preços. E o que mais os surpreendeu sobre a descoberta foi que as IAs aprenderam sozinhas a cooperar para manter preços artificialmente altos. Sim, ninguém ensinou isso a elas.
Como pesquisadores descobriram o cartel de inteligência artificial
Os pesquisadores criaram um mercado fictício para testar o comportamento dessas IAs. Nesse mercado, vários algoritmos “compravam” e “vendiam” ativos. E para que eles pudessem decidir o que compra ou vender, foi usada uma técnica chamada aprendizagem por reforço. Funciona como treinar um animal: cada acerto gera uma recompensa e cada erro traz uma punição.
Além desse método de aprendizagem, as IAs receberam uma única instrução: “maximizar o lucro”.
O resultado? Em vez de tentar superar os concorrentes, elas passaram a agir como um cartel: mantinham os preços em um patamar artificialmente alto, dividiam os ganhos e puniam qualquer outra IA que tentasse quebrar o acordo informal.
Por que as IAs preferiram colaborar em vez de competir?
Segundo os pesquisadores, isso acontece por dois motivos:
- a “inteligência artificial” propriamente dita: elas perceberam que fixar preços traz mais lucro do que brigar por mercado
- o que os pesquisadores chamam de “estupidez artificial”: em cenários mais caóticos, os algoritmos “desistem” de estratégias agressivas e ficam presos a padrões cooperativos porque isso parece mais seguro e previsível.
O impacto para consumidores comuns: do pão à conta de luz
Porque o mercado financeiro é como o “mercado de bastidores” de tudo o que a gente consome. Se o preço de insumos, combustíveis ou energia é manipulado lá em cima, o efeito chega no supermercado, na padaria, na conta de luz.
Ou seja, se esses “cartéis invisíveis” passarem despercebidos, o consumidor comum pode acabar pagando mais por quase tudo, sem nem saber o motivo.
Órgãos reguladores não conseguem detectar os cartéis digitais
Mas, de acordo com a pesquisa, o maior problema é que esse tipo de conluio é quase impossível de detectar com as ferramentas atuais. A fiscalização tradicional procura provas como e-mails e telefonemas entre pessoas, mas as IAs aprenderam a cooperar apenas observando o mercado, sem trocar nenhuma mensagem.
A preocupação já chegou aos reguladores. A agência que supervisiona mercados nos EUA (FINRA) chamou os autores da pesquisa para apresentar as descobertas. Empresas de investimento também já estão pedindo regras mais claras para não serem acusadas de manipulação por conta de comportamentos dos seus algoritmos.
Hoje, cerca de 15% dos traders já usam IA nas negociações, e outros 25% pretendem adotar a tecnologia em até um ano.




