Uma senhora carregava o ferro de passar para o conserto. Uma jovem escolhia uma joia em uma vitrine. Do outro lado, uma mãe com o filho carregava sacolas na mão. Um pouco mais na frente, a aglomeração costumeira no ponto de ônibus…
Não fossem as máscaras e funcionários com álcool em gel nas mãos, esse seria mais um dia comum no Centro de Cuiabá.
Essa segunda-feira (27), porém, marca a reabertura do comércio da Capital, fechado em função da pandemia de coronavírus. Na semana passada, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) autorizou a reabertura das lojas.
Os estabelecimentos devem funcionar entre 10h e 16h e seguir novas regras de biosseguranças estipuladas pela prefeitura. Entre elas, disponibilizar álcool em gel aos clientes.
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Lurdes Marques de Carvalho, 59, é proprietária de uma papelaria. As portas foram reabertas logo às 10h. Passados 15 minutos, já havia dinheiro no caixa. Ela espera que as vendas sigam esse fluxo.

“Se for abrir e todo mundo seguir as normas e evitar o contágio, tudo bem. O importante é a saúde”, afirma esperançosa de que o vírus vá embora e o comércio funcione normalmente.
Além da filha e do marido, a loja de Lurdes tem dois funcionários que vão trabalhar de 12h às 16h.
Preocupação
Ansiedade e medo são os sentimentos da vendedora Janaína Lima, 27. Ela trabalha em uma loja de bijuterias na Rua 13 de junho – que concentra um grande número de comércios.
A inquietação diz respeito às vendas e à manutenção do emprego. Dos sete funcionários do local onde ela trabalha, apenas quatro foram mantidos. Até o momento, não houve redução nos salários. Eles devem manter o horário de trabalho até às 16h.

“Já tenho medo do vírus. Tem muita gente na rua, não esperava que ia ter esse número de pessoas”, diz equipada com máscara e luvas.
Pouco mais à frente, Katiane, 30, e a filha de sete anos, carregavam sacolas nas mãos. Sem máscara, ela argumenta que só saiu de casa em função de uma necessidade. Questionada sobre o equipamento, ela afirma que só usa quando entra nas lojas e no ônibus, seu único meio de locomoção.
A jovem defende a reabertura do comércio. “Por enquanto está tudo bem. Só saí de casa mesmo por causa da necessidade”, afirma, revelando que estava comprando roupas para a filha.
Incerteza
As portas fechadas da Estação Alencastro, que também fica no Centro, não evitaram a aglomeração dos passageiros. Para esperar a condução, trabalhadores se amontoaram na frente da estrutura.
Seo Tito, 63 anos, espera o ônibus para ir trabalhar. Ele é favorável à reabertura do comércio. Com máscara no rosto – apesar do nariz de fora -, a preocupação dele é ficar em casa e não ter o sustento. “Quem é que vai levar comida lá em casa se faltar?”.
Segundo Zélia Freitas, 39, que vende o passe para o coletivo, o movimento nos ônibus aumentou consideravelmente – mesmo com apenas 30% dos veículos rodando.
Sem luvas, ela contava o dinheiro das vendas que fez. Diz ter medo de se contaminar, mas entre ir trabalhar e não ganhar nada, o emprego sai na frente.
Oportunidade
Há quem veja oportunidade na reabertura do comércio. Dona Auxiliadora, 64, saiu com o filho de casa para vender máscaras. Os produtos foram feitos por ela, à mão, e vendidos por R$ 5.

O negócio ainda andava fraco. Das 130 máscaras confeccionadas, apenas oito haviam sido vendidas.
Além de Dona Auxiliadora, outros muitos ambulantes aproveitaram a segunda-feira para vender o item.
As máscaras são obrigatórias e os comerciantes podem barrar os consumidores que não estiverem com o equipamento.




