Hospitais e clínicas particulares enfrentam crise por falta de pacientes

Leitos estão vazios em Cuiabá, mas à espera de um possível estouro de casos de covid-19

A crise se abateu sobre os hospitais e clínicas particulares de Mato Grosso. Empresas sólidas, com até 250 empregos diretos, estão se desidratando, desligando pessoal, suspendendo contratos, reduzindo salários e fechando setores temporariamente.

Um cenário que pode até parecer impossível diante de uma situação de pandemia, mas não é. Nas unidades maiores, a ocupação dos leitos não chega a 30% e as cirurgias eletivas – que podem ser programadas -, bem como os demais procedimentos, foram suspensos porque os pacientes estão com medo da contaminação.

A diretora-executiva do Sindicato das Empresas de Saúde Mato Grosso (Sindessmat), Patrícia West, explica que os adiamentos fazem parte do protocolo de atendimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e são consideradas vitais no combate ao coronavírus. Contudo, resultou na redução “severa” das taxas de ocupação.

Patrícia West é diretora executiva do Sindicatos da Empresas de Saúde de Mato Grosso (Foto: Assessoria)

West contextualiza que situações semelhantes foram vividas em outros países e o histórico faz com que as empresas de saúde fiquem em alerta, porque o quadro pode mudar rapidamente.

Atualmente, todas as unidades têm um setor ou área reservada apenas para o covid-19. Porém, não existe um percentual estabelecido. Os espaços estão sendo preparados conforme a demanda, já considerando a possibilidade de expansão.

Menos pacientes e mais custos

Conforme o Sindessmat, paralelo a redução da demanda por serviços, o mercado está enfrentando o aumentos do valor dos insumos e Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

No caso das máscaras NR5, por exemplo, o aumento chega a mais de 3 mil por cento. Antes era R$ 1,70 a unidade e hoje chega a R$ 56.

Além do preço, os hospitais enfrentam a escassez do produto e precisam enfrentam uma negociação diferenciada com os fornecedores. Eles já não aceitam mais os prazos praticados antes da pandemia e também expandiram o tempo de entrega.

Fornecedores querem mais prazo para entrega porque falta produto no estoque (Imagem ilustrativa / Agência Brasil)

Com isto, o preço de uma diária em Unidade de Terapia Intensiva, hoje, chega a R$ 2,8 mil. Mas, vale lembrar que o valor é para internações particulares porque as pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não tiveram alteração no valor.

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Sendo assim, os hospitais recebem, no caso da adulto, R$ 1.743,00 por diária, de acordo com a tabela publicada na portaria estadual 125/2020.

A quantia paga pelo SUS representa cerca de 60% do que é pago pelos pacientes particulares.

“No entanto, não se trata apenas de preço, estamos tratando de vidas e da saúde da nossa população. Situações atípicas como a dessa pandemia devem ser tratadas também de forma diferenciada”, assegura West.

Quem sobreviverá

Permanecer no mercado após a pandemia irá depender de dois fatores, analisa a diretora-executiva do sindicato: a condição financeira de cada instituição e a capacidade dela levantar recursos.

Atualmente, o setor tem aproximadamente 17 mil empregados e todos os empresários estão lutando para manter os postos de trabalho, relata a diretora-executiva do Sindessmat.

Para isso, na avaliação da profissional, foi benéfica as Medidas Provisória publicadas pelo governo Federal e que permitem o corte de salários e a suspensão de contratos, além da prorrogação do prazo de pagamento de alguns impostos federais, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

No entanto, Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), que é um tributo municipal de grande impacto para o setor de saúde, não foi prorrogado.

“Apesar de todos os nossos esforços,  incluindo ofícios endereçados ao prefeito para que olhasse para as dificuldades que a saúde está enfrentando, não conseguimos a prorrogação”, finaliza West.

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