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No SUS ou em hospital particular: quanto custa um dia de internação em uma UTI?

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Vinicius Bruno

Um paciente diagnosticado com covid-19 e que precise ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) custará, em média, R$ 1,8 mil por dia para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Na rede privada, o mesmo leito não sai por menos de R$ 2,1 mil a diária. Um valor que pode chegar a R$ 2,8 mil, dependendo do hospital.

O custo é de 14,% a 54,3% maior, considerando somente as unidades de saúde de Mato Grosso.

Segundo o Sindessmat, sindicato que representa os hospitais privados em Mato Grosso, ainda não se sabe ao certo a média de dias que um paciente com covid-19 fica internado em um leito de UTI. A estimativa é que esse período seja maior que 14 dias – que é o tempo médio que um paciente com pneumonia também leva para se recuperar.

Considerando essa média de internação, quem optar por um hospital privado terá um custo que pode variar de R$ 29,4 mil a R$ 39,7 mil.

Vale lembrar que esses valores não são tabelados e podem aumentar, visto que o custo dos insumos – como medicamentos e equipamentos – podem subir nos próximos dias em razão da pandemia e o consequente aumento da demanda em escala mundial.

Preço de UTI particular

Diretora executiva do Sindessmat, Patrícia West explica ao LIVRE que o custo de uma UTI depende do perfil do hospital e da cidade onde está localizado.

“Isso porque o custo logístico pode afetar os preços, bem como o porte da instituição. Hospitais maiores conseguem comprar materiais e medicamentos em maior escala e, com isso, podem conseguir preços menores. A adoção de protocolos rígidos e criteriosos de certificações de qualidade e de segurança do paciente também provocam alteração no preço”.

Patrícia West é diretora Executiva do Sindessmat e avalia que custo de UTI nos hospitais privados vai aumentar assim que a pandemia avançar em Mato Grosso (Foto: Assessoria)

Patrícia aponta que ainda não existe uma base de dados no Estado que permita traçar um diferencial entre o custo dos pacientes com covid-19 que estejam em tratamento, já que são poucos os casos em Mato Grosso até agora.

“O que se sabe até o momento é que o paciente em tratamento da covid-19, quando necessita de cuidados especiais em UTI, tem um tempo de internação maior do que pacientes em tratamento por pneumonia, sendo de aproximadamente 14 dias”, enfatiza.

EPIs afetam custo

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) também afetam no custo de uma UTI. Patrícia explica que esse fator se dá porque nestas unidades o consumo de produtos como  máscaras, gorros, capotes e insumos de limpeza e higienização é maior.

“Apenas a título de exemplo, o avental descartável cirúrgico de manga longa, que antes era comprado por R$ 0,92, hoje tem fornecedores vendendo a R$ 59. A máscara N95 saltou de R$ 1,73 para R$ 15 a unidade. A caixa de luva de R$ 13,83 subiu para R$ 30,50. E toda vez que um profissional entra em contato com o paciente suspeito de coronavírus, toda a paramentação deve ser trocada. A que foi usada é descartada para evitar contaminação”, enfatiza.

Sendo assim, Patrícia é enfática: o custo de uma UTI provavelmente vai aumentar durante o pico da pandemia.

Até a necessidade de limpeza constante do ambiente torna o custo de uma Unidade de Terapia Intensiva mais alto (Foto: Reprodução)

Conforme divulgado nesta terça-feira (31) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), Mato Grosso tem 25 casos confirmados de covid-19, sendo que 8 destes pacientes estão internados. Há ainda outras 263 notificações da doença, que ainda aguardam testes.

Até o momento, um paciente no Estado já se recuperou e não houve nenhum óbito.

No Brasil, são 5.717 casos confirmados e 201 mortes por conta do coronavírus.

Ventiladores também mais caros

Outro equipamento considerado essencial nas UTIs e que podem salvar vidas de pacientes com a covid-19 são os aparelhos de ventilação mecânica.

Esses produtos, conforme informou a SES, custavam em média R$ 45 mil antes da pandemia. Em recente entrevista, o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo alegou que este valor já supera, em alguns casos, os R$ 70 mil.

Em Mato Grosso, os oito hospitais geridos pelo Estado possuem 172 aparelhos de ventilação mecânica e a Secretaria está viabilizando a compra de pelo menos mais 50.

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