Homebiogás: saiba como produzir gás de cozinha no quintal

Equipamento é abastecido com resíduos orgânicos e fornece 4 horas de chama no fogão de Dona Domingas, no São Gonçalo Beira Rio

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

O cardápio foi carne com arroz, farofa de banana e feijão. O menu, para lá de cuiabano, foi em comemoração à instalação do Homebiogás no Quintal de Dona Domingas, na tradicional comunidade do São Gonçalo Beira Rio.

O aparelho transforma restos de alimentos em gás de cozinha e, além de trazer economia, também trouxe novas rotinas. Agora, enquanto prepara os alimentos, Dona Domingas coloca em uma lixeira separada o que é orgânico, para alimentar seu produtor de gás.

Apesar do jantar ser emblemático, como uma espécie de inauguração, Domingas confessa que não é a primeira vez que usa o fogão. No final de semana, uma vizinha estava fazendo arroz e acabou o gás na casa dela, logo ela pediu socorro e acabou o preparo do almoço no quintal mais conhecido de Cuiabá.

Dona Domingas ao lado do Homebiogás, instalado no quintal dela (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

“Não é só para mim, é para toda comunidade. E agora, com o botijão a R$ 120, será de grande ajuda”, afirmou Domingas, a primeira contemplada com o projeto, que atenderá outras 500 famílias de comunidades ribeirinhas.

Outra vantagem trazida pelo fogão será a diminuição do custo com a alimentação das crianças que fazem parte do projeto Flor Ribeirinha. Atualmente são 250 cadastrados que estão com as aulas de dança suspensas por conta da pandemia.

Festejos mais seguros

As tradicionais festas da comunidade também terão mais segurança a partir da instalação do equipamento, que sendo abastecido com 5k de resíduos orgânicos pode gerar até 4 horas de gás.

Desta forma, os moradores vão abolir o “tacuru”, um fogão à lenha improvisado. Ele era a solução para os eventos, que reúnem muitas pessoas e, como diz Domingas, “não tem quem aguente pagar o gás”.

Fogão abastecido com gás metano em funcionamento (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Com esperança e ansiedade, os moradores esperam o fim da pandemia e a retomada das atividades, tendo em vista que esses eventos, além de trazerem diversão, movimentam a economia local, que é basicamente turística por conta dos restaurantes e da cerâmica.

Saúde, sustentabilidade e redução das desigualdades

O representante do equipamento – que tem tecnologia israelense – no Brasil, Leandro Toledano, explica que o produto já está em 23 Estados brasileiros e tem o foco nas comunidades mais carentes e longínquas. São lugares em que se chega de barco e que o botijão de gás chega a comprometer mais de 50% da renda familiar.

Toledano explica que por meio de parcerias com prefeituras, governos e até mesmo com os ministérios públicos é possível custear o equipamentos em escolas e comunidades porque, além de gás, o Homebiogás impacta no meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas.

Leandro Toledano defende que equipamento reduz desigualdades (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Um modelo, como o instalado no quintal de Dona Domingas, consome anualmente 1 tonelada de resíduo, que antes iria para o aterro sanitário, gerando custos para o município, que paga à empresa concessionária por quilo de material recebido.

O material também passa por um novo ciclo de uso e não precisa ser absorvido pela natureza. Paralelo a isso, as pessoas deixam de desmatar para abastecer os fogões à lenha e ainda de correrem risco de acidentes no manuseio do fogo.

Biodigestores e o saneamento

Além do modelo de Homegás, que trabalha a partir dos resíduos de alimentos, a empresa Ekoenergy, que representa o produto em Mato Grosso, tem um equipamento de produção de gás que inclui o banheiro.

É isso mesmo que você está pensando: fezes humanas sendo transformadas em gás de cozinha.

A solução pode atender lugares onde o saneamento é precário e até mesmo espaços onde há criação de animais, já que os dejetos deles também podem ser aproveitados e o gás atender uma comunidade inteira.

Marcus Vinicius Ferreira mostra fertilizando extraído no equipamento (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Agora, o próximo passo da empresa será entregar um produto que faça conversão dos resíduos em energia elétrica, uma novidade prevista para chegar ao mercado até o final do ano.

Em todos os modelos, além de gás, é produzido um potente fertilizante natural, que pode ser usado em hortas domésticas e até mesmo ser comercializado.

O diretor da Ekoenergy, Marcus Vinicius Ferreira, acredita que é questão de tempo a popularização do equipamento. Atualmente, ele está em contato com prefeituras e entidades governamentais que estejam dispostas a fazer parcerias.

Como funciona o Biogás?

O equipamento funciona a partir da decomposição anaeróbia (sem oxigênio) dos alimentos. No processo, se produz o gás metano e é ele que vai alimentar as chamas do fogão.

Vale lembrar que, quando este processo acontece ao ar livre, o gás metano torna-se tóxico e pode trazer muitos problemas à saúde.

Já no biodigestor, ele é queimado, perdendo a toxidade, sem contar que como a pressão é menor que a do botijão de gás, torna-se mais seguro.

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