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Grampolândia: incoerência “escandalosa”, afirma procurador ao negar delação

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Camilla Zeni

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Correia Junior, acusado de participação em um esquema de escutas ilegais conhecido como Grampolândia Pantaneira, tinha a intenção de firmar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de Mato Grosso (MPE), mas não apresentou fatos novos, nem provas e ainda registrou uma “gritante e escandalosa” contradição nos depoimentos.

A informação consta no despacho, do dia 5 de julho, assinado pelo procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda, coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originárias (Naco Criminal), que negou a proposta do militar.

A tentativa de acordo começou em março deste ano, por iniciativa de Gerson. Quase um mês depois, no dia 16 de abril, ele entregou sua “delação”. Foram nove termos.

Segundo o MPE, Gerson chegou a apontar, nos termos dois e quatro, informações que seriam “novas” para os investigadores, e poderia se beneficiar com o acordo, não fosse os depoimentos controversos que prestou.

As inconsistências foram identificadas após análise de mais de 10 mil páginas de documentos, em diversos procedimentos investigatórios sobre o caso, segundo o procurador. Entre as controvérsias estão, por exemplo, o real mandante das escutas ilegais, a inclusão da deputada estadual Janaina Riva (MDB) nos grampos e a participação de promotores no caso.

Domingos Sávio, então, chegou a questionar se o militar queria, de fato, contribuir com a elucidação do caso, ou se tratava-se de uma “última cartada” frente à aproximação da data de julgamento.

“Diante disso, pergunta-se: como celebrar um negócio jurídico com o requerente se, ao final e ao cabo, os elementos por ele trazidos não terão resultado útil algum em eventual ação penal? Por que seria interessante ao Ministério Público concordar com a concessão de um benefício ao delator, prestes a ser condenado, em vista do pouco – e inverossímil – que por ele é oferecido?”, considerou Domingos Sávio.

Gerson, porém, havia alegado, quando ainda da manifestação pela delação, que tinha medo de morte e retaliações funcionais, em razão do poder e influência dos supostos envolvidos no esquema. Não fica claro no documento, contudo, se seria este o motivo das incoerências.

Grampolândia

O esquema de grampos ilegais foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque à Procuradoria Geral da República (PGR), a quem afirmou que o governo do Estado tinha conhecimento sobre as escutas ilegais instaladas em Mato Grosso.

Inicialmente, o pedido de interceptação telefônica foi autorizado pela Justiça Estadual, mas teve a finalidade alterada depois que número de pessoas sem envolvimento em crimes terem sido incluídos – uma manobra chamada de barriga de aluguel.

Depois de ter alertado ao então governador, Pedro Taques, Zaque procurou a PRG, em janeiro de 2017. O escândalo veio à tona após uma reportagem veiculada pelo Fantástico, em maio daquele ano, na qual o promotor reafirma as denúncias.

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