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Eleições 2018Judiciário

Ex-marqueteiro processa Selma Arruda e cobra R$ 1,16 milhão

Foto de Laíse Lucatelli
Laíse Lucatelli

O publicitário Luiz Gonzaga Rodrigues Junior, conhecido como Junior Brasa, processou a candidata a senadora Selma Arruda (PSL) cobrando o pagamento de R$ 1,160 milhão da ex-cliente, que rompeu com a agência Genius no início de setembro.

O valor cobrado pelo ex-marqueteiro é referente a R$ 534 mil em serviços prestados e não pagos e R$ 625 mil de multa. Brasa acionou também os suplentes da chapa de Selma, Gilberto Eglair Possamai e Cléire Fabiana Mendes. Ele entrou com ação monitória na 10ª Vara Cível de Cuiabá, nessa sexta-feira (28).

Na ação, o marqueteiro relatou que foi procurado por Selma em abril deste ano para prestar serviços à candidata, divididos em duas etapas: pré-campanha, entre 9 de abril e 1º de agosto, e campanha eleitoral, entre 1º de agosto de 4 de outubro. Ele cobrou R$ 1,8 milhão pelo pacote de serviços, que seriam pagos em cinco parcelas.

Brasa disse que, desde o início, colocou 40 profissionais à disposição da campanha, e recebeu o primeiro pagamento em 10 de abril, um cheque de Selma no valor de R$ 150 mil. Segundo ele, em 4 e 21 de maio, ela emitiu mais dois cheques no mesmo valor e, em 16 de julho, ela emitiu um novo cheque, de R$ 100 mil.

O marqueteiro disse que, em 7 de agosto, recebeu um cheque de R$ 150 mil do suplente Gilberto Possamai, pré-datado para 30 dias, e que descontou o cheque em uma factoring para pagar o pessoal contratado.

Todos esses valores, no total de R$ 700 mil, foram pagos na pré-campanha. O primeiro pagamento via conta de campanha foi feito em 28 de agosto, com transferência no valor de R$ 230 mil. Em 21 de setembro, depois do rompimento, ele recebeu mais um cheque de campanha, no valor de R$ 100 mil. Dessa forma, segundo Brasa, Selma pagou um total de R$ 1,030 milhão.

Relatório de pagamentos e dívidas contido no processo

 

Chegada de Kleber Lima

Na ação, o publicitário disse que, logo no início da campanha, Selma solicitou que o jornalista Kleber Lima fosse incluído na equipe, o que foi prontamente atendido. A partir daí, Kleber assumiu a coordenação de marketing, dentro das instalações da Genius. “Importante destacar que a partir deste período os pagamentos já não mais ocorriam nas datas e valores programados”, afirmou Brasa.

“No início do mês de agosto, a requerida Selma Rosane propôs a redução da equipe e consequentemente dos gastos, sendo desativada a equipe de acompanhamento full time. Mas, em decorrência da crescente demanda a equipe desativada, após 15 dias foi recomposta, inclusive com adicional de pessoal necessário para início das gravações dos programas de campanha”, relatou.

Brasa disse que insistiu, por diversas vezes, para formalizar o contrato e para que ela enviasse os dados para que ele emitisse nota fiscal dos pagamentos já realizados. Porém, segundo ele, Selma nunca devolveu sua via assinada.

Ele disse que, depois da entrada de Kleber, Selma pediu um novo contrato, com vigência entre 15 de agosto e 4 de outubro, no valor de R$ 982 mil, a serem pagos em 3 parcelas. Brasa disse que redigiu o novo contrato, porém, ao consultar seus advogados, desistiu de assinar, pois havia divergência do período e valores já pactuados, e redução do percentual da multa em caso de rescisão.

Rompimento com a agência

Em 4 de setembro, Selma Arruda rompeu com a Genius e pediu todo o material de campanha já produzido, com emissão de nota fiscal no valor de R$ 100 mil. Brasa disse que entregou um HD externo com todo o material e a nota solicitada no dia 20 de setembro. O rompimento foi tumultuado, com troca de farpas via imprensa entre o ex e o novo marqueteiro.

Dessa forma, segundo o marqueteiro, “foram prestados 117 dias de serviços (09/04/2018 a 04/09/2018), dos 147 que foram acordados”. Considerando o acordo feito em abril, no valor de R$ 1,8 milhão, cada dia de trabalho custaria R$ 10,5 mil, resultando em R$ 1,5 milhão a serem pagos pelo tempo de serviço prestado à candidata.

Como Selma já pagou R$ 1,030 milhão, segundo Brasa, a candidata ainda deve R$ 534 mil referentes a saldo contratual e uma multa de 40% pela rescisão do contrato, ou seja, R$ 625 mil. Desse modo, ele cobra, no total, R$ 1,160 milhão da candidata, além dos honorários advocatícios.

“Ao prestar o serviço a parte requerente adquiriu equipamentos, contratou esquipe especializada, firmou contrato de parceria com empresas especializadas nas áreas de fiscalização de propaganda, nas áreas de pesquisas qualitativas e quantitativas, tudo para atendimento dos serviços requisitados que seriam compensados com o pagamento dos valores acordados”, diz a ação.

Ele anexou à ação relatórios de desempenho nas redes sociais e links de matérias jornalistas sobre a campanha de Selma, além de cópias dos cheques, transferências e notas emitidas.

Outro lado

Em contato por telefone, o jornalista Kleber Lima disse que a campanha de Selma Arruda vai se pronunciar assim que tomar conhecimento do processo.

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