Escolas “caem aos pedaços” enquanto aguardam reforma

Secretária diz que recursos são poucos para atender todos que precisam

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Sessenta por cento das escolas estaduais de Mato Grosso precisam de reforma e reconstrução segundo a própria Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Entre elas está a Escola Estadual Padre Firmo, no bairro Jardim Industriário, em Cuiabá, onde lâminas de PVC e isopor são os componentes das paredes das salas de aula.

Lá, ser professor é uma tarefa árdua porque é preciso criatividade e paciência. O calor é intenso, a iluminação inadequada e as janelas quebradas fazem parte do cenário.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Como os espaços são germinados, não há uma acústica aceitável e o som passa pelos ambientes e se mistura, tornando as aulas uma grande confusão.

Das 13 salas da escola, apenas 4 são de alvenaria. As demais são provisórias desde 2013, quando o espaço interno ficou insuficiente.

De acordo com diretor da escola, Paulo Roberto Marchese, foi a abertura de novos residenciais nos arredores que fez o número de estudantes passar de 120, em 2006, para 740, dado atual.

Acréscimo que chega a 500% em relação a demanda projetada.

O sonho de uma quadra

Professora de Educação Física, Janaína Lopes disse que os alunos sonham com uma quadra poliesportiva. Atualmente, não existe um espaço adequado e é preciso ser “bombril” para garantir o direito dos alunos.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Usamos um corredor e um pequeno espaço no pátio. Não dá para fazer muita coisa e a criatividade é essencial. Também tento incluir jogos e outras atividades”.

Na 7ª C, por exemplo, quando a professora pergunta o que os alunos querem, todos respondem um som uniforme: quadra poliesportiva.

O que é ruim tende a piorar

As salas extras foram locadas pelo governo do Estado, sendo que o contrato foi renovado pela última vez em 2015. Desde então, a comunidade trabalha com o fantasma da desocupação.

“Pior que a locação contempla também a manutenção, que desde 2016 não é realizada pela empresa. Os professores fazem mutirão para trocar lâmpadas, arrumar tomadas e fazer pequenos reparos”, ressalta o coordenador Diego da Silva.

Segundo Silva, o último contrato que se teve acesso era no valor anual de R$ 294 mil.

Problema crônico

Secretária de Educação de Mato Grosso, Marioneide Angélica Kliemaschewsk disse que, hoje, a rede estadual tem pouco mais de 700 escolas, sendo que 400 precisam urgentemente de reforma.

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“Algumas estão há 40 anos sem passar uma mão de tinta. Outras sem nenhuma condição ou em condições precárias de atendimento dos alunos”.

Kliemaschewsk esteve na Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desportos da Assembleia Legislativa e mostrou um panorama do que será realizado.

A secretária falou sobre a decisão judicial que obriga o órgão a reformar 41 unidades até  2022. Nelas, será aplicado R$ 107.183.079,86.

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Se dividimos o valor pela quantidade de escolas, chegaremos a R$ 2.614.221,46 por unidade. Valor que, segundo a secretária, são justificadas por serem reformas completas.

Outra frente de trabalho será a retomada de obras paradas.

“Desde 2013, a situação entrou em declínio e chegamos em 2019 com muitas dívidas na praça. Primeiro quitamos o que era devido e, agora, estamos investindo. Porém, só faremos obras com o dinheiro em caixa”.

Segundo a titular da pasta, muitas obras estão paradas há anos por terem sido lançadas sem recursos garantidos.

Com relação a escola Padre Firmo, o responsável pela infraestrutura escolar da Seduc, Alan Porto, disse que esta semana uma equipe vai ao local para detalhar o projeto de reforma.

A unidade está dentro da relação de escolas que receberão reforma e construção.

Com relação as salas modulares, a Seduc, por meio da assessoria de imprensa, informou que a questão contratual do pagamento das salas modulares, contrato firmado entre a Seduc e a empresa Relomat, está sendo discutido judicialmente.

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