Mato Grosso não tem registros da Doença de Haff, conhecida como doença da urina preta, correlacionada ao consumo de crustáceos e pescados. Entretanto, não é possível dizer se há risco ou não da ocorrência de casos no Estado, conforme a Secretaria de Saúde.
Contudo, o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) informa que está preparado para atendimento e monitoramento, se houver algum registro da doença em Mato Grosso.
Todavia, a unidade hospitalar frisa que, como em todo procedimento, o paciente deve ser encaminhado, primeiramente, pela Central de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Surto no Amazonas
O Amazonas vive desde o mês passado um surto da Doença de Haff. Há pelo menos 60 casos em investigação, conforme o Ministério da Saúde.
O local com mais registros é a cidade de Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus. O município tem 16 notificações em acompanhamento. Sendo 10 casos distribuídos em quatro núcleos familiares. Entre os doentes há 12 adultos (de 30 a 63 anos) e quatro crianças (de 3 a 12 anos).
Bahia, Pará e Ceará também estão monitorando casos suspeitos.
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A doença
A doença é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes como o tambaqui, o badejo e a arabaiana ou crustáceos (lagosta, lagostim, camarão).
Quando o peixe não foi guardado e acondicionado de maneira adequada, ele cria uma toxina sem cheiro e sem sabor. Ao ingerir o produto, mesmo cozido, a toxina provoca a destruição das fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro dessas fibras no sangue, ocasionando danos no sistema muscular e em órgãos como os rins.
Após a contaminação pela toxina, a pessoa apresenta extrema rigidez muscular de forma repentina, dores musculares, dor torácica, dificuldade para respirar, dormência, perda de força em todo o corpo e urina cor de café, pois o rim tenta limpar as impurezas, o que causa uma lesão na musculatura.
A doença causa muitas dores musculares, lembrando a dengue, porém sem febre.
Os sintomas costumam aparecer entre 2 e 24 horas após o consumo dos peixes ou crustáceos.
A hidratação é fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas. Assim é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, o que favorece sua eliminação através da urina. Nos casos graves, pode ser necessário fazer hemodiálise.
A recomendação para tentar evitar a contaminação, frisa o Ministério da Saúde, é não consumir pescados ou crustáceos cuja origem, transporte ou armazenamento sejam desconhecidos. O ideal é comprar esses produtos em locais com garantia de segurança.
Nos casos do aparecimento de dores musculares e da urina escura, semelhante a café, após o consumo de peixes ou crustáceos, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.




