O deputado estadual Xuxu Dal Molin (PSC) defendeu que a população utilize medicamentos “de prevenção” ao novo coronavírus que não apresentaram nenhuma comprovação científica.
A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (2), durante a sessão ordinária em que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovou o Projeto de Lei 155/2021, que institui multa a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem regras sanitárias de contenção à covid-19.
O parlamentar também se mostrou contrário à proposta do deputado Lúdio Cabral (PT) que, minutos antes, havia defendido um lockdown severo com a completa interrupção das atividades econômicas pelo período de 15 dias.
Além de defender o uso de medicamentos de forma precoce, Xuxu Dal Molin cobrou que os demais deputados façam o mesmo.
“Nós precisamos fazer propaganda disso também. E ninguém quer fazer! Só ficam falando que tem que fechar e parar! Fome mata também! Desemprego mata também! Chega dessa conversa!”, disse.
O deputado também defendeu as medidas de restrição social, porém, foi radicalmente contra o lockdown, por entender que seria extremamente prejudicial a Mato Grosso.
“Quando algum colega fala que tem que fechar até a indústria, vale lembrar que indústria que nós temos é de alimentos. Nós não temos estoque de alimentos para manter a nossa população, simplesmente, em casa como algumas pessoas, por ignorância política ou maldade, ainda querem entrar nessa situação”, concluiu.
Discurso “bolsonarista”
O deputado Carlos Avalone (PSDB) criticou a fala de Xuxu Dal Molin, associando à declaração em defesa de medicamentos sem eficácia comprovada ao mesmo discurso propagado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).
“Respeitando muito o presidente e o deputado, mas aconselho a população a só tomar medicamento que o médico determinar. Não há unanimidade. Por favor, não tome remédio por iniciativa própria. Consulte os médicos”, disse.
Avalone ainda criticou o discurso de Bolsonaro e atribui ao presidente da República a responsabilidade pela insuficiência de vacinas para atender a população.
“Foi a descrença do nosso presidente que causou a falta de vacina. Falou que a vacina do Butantã transformava [quem a tomava] em jacaré. Já passou da hora de ir atrás de vacina. Em Israel, 50% da população está vacinada porque o primeiro ministro passou até cinco horas da manhã falando com representantes de laboratórios. Falta vontade política”, declarou.




