O uso de um ônibus da União Transportes, empresa responsável pelo transporte coletivo de Várzea Grande, em uma ação social ligada ao presidente da Câmara Municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), passou a ser alvo de questionamentos e motivou representação encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso.
Conforme documentos enviados à reportagem, o veículo — um Volks/Comil Svelto registrado em nome da concessionária — participou do Projeto Bazar Itinerante no dia 21 de março, no bairro Jardim Primavera. A iniciativa é associada politicamente ao parlamentar.
A denúncia levanta dúvidas sobre possível conflito de interesses envolvendo a concessionária, que presta serviço público no município desde 2001 por meio de contrato de concessão firmado com a Prefeitura de Várzea Grande.
O denunciante questiona a relação entre a empresa e o chefe do Legislativo municipal. “Como pode uma prestadora de serviço público, fiscalizada pelo poder legislativo, ceder um ônibus adesivado para ações do presidente da Câmara? E como fica a isenção na fiscalização do transporte coletivo?”, argumentou.
Diante da repercussão, a reportagem procurou a União Transportes e a assessoria do vereador para esclarecer se existe algum vínculo formal que justificasse a utilização do veículo em atividades ligadas ao parlamentar.
Em nota, a concessionária afirmou que mantém projetos sociais voltados à comunidade e disponibiliza um ônibus para atender ações comunitárias, conforme disponibilidade. Segundo a empresa, o veículo costuma ser utilizado em cortejos fúnebres, atividades religiosas e iniciativas promovidas por associações.
A União Transportes também declarou que o ônibus citado não faz parte da frota operacional vinculada ao contrato de concessão do transporte coletivo.
“As ações reforçam o compromisso social da União Transportes com a população de Várzea Grande”, informou a empresa.
Já a assessoria de Wanderley Cerqueira negou qualquer irregularidade e afirmou que a relação com a concessionária é apenas institucional. Segundo a nota, não houve uso de dinheiro público nem estrutura da Câmara Municipal.
Ainda conforme a assessoria, os custos da ação foram bancados pela empresa, o ônibus foi cedido com autorização formal e a atividade teve caráter exclusivamente social e comunitário.





