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Delação de Malouf já está no Supremo e cita R$ 10 milhões em “caixa dois” na campanha de Taques

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Redação

Reportagem da Folha de S. Paulo desta terça-feira (21) informa que o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou no último mês de abril a delação premiada do empresário Alan Malouf, em que ele confessa ter sido o operador de um “caixa dois” da campanha eleitoral do governador Pedro Taques (PSDB) em 2014.

Malouf teria afirmado na delação que captou R$ 10 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Pedro Taques. A conta seria administrada por Júlio Modesto, que foi secretário de Estado de Gestão e chefe da Casa Civil do Governo Taques. Modesto deixou o Governo do Estado em junho deste ano.

Alan Malouf afirma que se reuniu mais de 100 vezes com Taques na casa do então senador, para tratar de assuntos ligados ao financeiro da campanha de 2014.

Além de dizer que presenciou um encontro entre Taques e o ex-governador Silval Barbosa, que chegou a ser preso e também citou Pedro Taques em uma delação, dizendo que o atual governador de Mato Grosso pediu R$ 12 milhões em “caixa dois”.

Segundo o próprio Silval, o acordo seria para preservá-lo caso Taques chegasse ao poder do Governo do Estado.

Na delação feita à Procuradoria-Geral da República, Malouf afirma que captou R$ 10 milhões em recursos não contabilizados para a campanha de Pedro Taques ao governo, em 2014, então candidato do PDT.

Na Justiça Estadual, Malouf foi condenado a 11 anos de prisão por envolvimento no esquema de desvio de recursos da Secretaria de Estado de Educação, investigado em 2016 pela Operação Rêmora, do Gaeco-MT. Segundo a Folha, Malouf disse à PGR que o dinheiro desse esquema seria usado para sanar dívidas não declaradas da campanha.

Malouf também diz que, quando o esquema foi descoberto, se reuniu em duas ocasiões com Taques na sede do governo e o informou dos riscos. O governador, segundo ele, respondeu que “daria um jeito de resolver”.

Outro lado

Em nota à Folha, o governador Pedro Taques negou “enfaticamente as afirmações levianas do investigado Alan Malouf”. Segundo ele, todas as movimentações financeiras da campanha de 2014 foram registradas na prestação de contas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Segundo o jornal, Taques diz que já prestou depoimento à PGR sobre o assunto e apontou equívocos nas falas de Malouf. Diz que não fez acordo com Silval.

Também na delação, Alan Malouf cita um suposto envolvimento do deputado federal federal Nilson Leitão (PSDB). Para o tucano, Malouf tem “o claro propósito de desviar o foco das acusações que pesam contra si” e disse que “constituiu advogados para atuar no processo judicial e garantir que a verdade prevaleça”.

O ex-secretário Júlio Modesto disse que seu papel no governo foi técnico e não administrou nenhuma conta ou foi coordenador de campanha.

Já a defesa de Alan Malouf reafirma que não irá se pronunciar. Em nota, reitera que aguarda o julgamento de recurso de apelação perante o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que questiona a total incompetência do Juízo da Sétima Vara da Capital para julgar o caso. A nota é assinada pelo advogado Huendel Rolim.

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