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Cuiabá: contratações e benefícios na Saúde eram decididos via bilhetes

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Reinaldo Fernandes

Ex-secretária de Saúde de Cuiabá, Elizeth Lúcia Araújo disse a investigadores que atuaram na Operação Capistrium que uma pessoa com contato direto com a primeira-dama Márcia Pinheiro teria sido nomeada na Pasta exclusivamente para facilitar a contratação de pessoas indicadas por vereadores da base de apoio ao prefeito Emanuel Pinheiro (MDB).

Tal pessoa seria a então secretária de Governo, Ivone de Souza, que também tratava da estipulação do valor do prêmio-saúde, um benefício em dinheiro pago aos servidores da Pasta. 

Ainda de acordo com Elizeth, as pressões por contratações de indicados e pagamentos começaram cerca de cinco meses após o início do mandato, em 2017.

As informações estão na medida cautelar que autorizou a Operação Capistrium, deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) do Ministério Público de Mato Grosso, nessa terça-feira (19). 

Comunicação via bilhetes

O depoimento prestado pela ex-secretária ao promotor responsável pela investigação indica que os valores do prêmio-saúde eram definidos por meio de bilhetes.

Eles seriam assinados supostamente pelo prefeito Emanuel Pinheiro ou pela primeira-dama, Márcia Pinheiro. Por vezes, o então coordenador Ricardo Aparecido Ribeiro, indicado político que despacharia diretamente com a primeira-dama, também seria o responsável. 

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Segundo aElizeth Araújo, o benefício varia entre R$ 70 e R$ 5 mil nos meses em que ela comandou a pasta. Porém, os servidores recebiam valores a mais do que deveriam pela competência do cargo.  

“Vinha a listinha, vinha a determinação de ajustar pra fulano ganhar tanto, ele em que chegar ganhando R$ 3,5 mil. Mas, não tem como… ele é enfermeiro, ele é odontólogo, esse é um padrão de um profissional de nível superior. A maioria era área meio, poucos com capacitação técnica para atuar ou na área finalística ou na área de planejamento”, afirmou. 

Pagamento sem contrato 

Huark Douglas Correia, que assumiu a Secretaria de Saúde com a saída de Elizeth, em 2018, disse em acordo de delação que a pasta chegou a ter 1 mil funcionários sem função e espaço para acomodação. A maioria seria de indicação política. 

Essa versão é corroborada pelo depoimento de Elizeth Araújo. Ela disse que, após a troca de coordenação, as contratações eram decididas por Ricardo Aparecido Ribeiro ou por Ivone de Souza, sem passar por consulta a ela. 

A situação gerou casos de contratos de trabalho chegarem a ela dois ou três meses após os indicados já terem ocupado a função. Conforme Aliezeth, em muitos casos, ela ficava sabendo quando os nomes já apareciam na folha de pagamento. 

Huark disse ainda que, somente em seu período de gestão, foram contratadas mais de 200 pessoas como contrato excepcional, o que indicava nomeação política.

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