Colapso do SUS em Rondônia acende sinal de alerta em cidades de MT

Hospital público em Cacoal está em colapso por falta de médicos e não consegue mais atender pacientes com covid

(Fotos: Edcarlos Carvalho/ Secom - Governo de Rondônia)

A pandemia de coronavírus levou ao colapso o sistema de saúde na região Sul de Rondônia. Em um ofício encaminhado à Secretaria Estadual de Saúde daquele Estado, o Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro) apontou que a maior necessidade no momento é por médicos para atender os pacientes com covid-19.

De um total de 53 médicos, o hospital está contando apenas com 37, porque 16 estão afastados. Com o quadro profissional desfalcado, a unidade de saúde comunicou que não teria profissionais para atender no plantão da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta terça e quarta-feira (21 e 22).

Uma situação gera um sinal de alerta também para Mato Grosso. Municípios mato-grossenses que possuem leitos de UTI e enfermarias disponíveis para pacientes da covid e que estão próximos a Cacoal, também estão no limite da capacidade de atendimento.

Hospital Estadual de Urgência e Emergência de Cacoal – RO – (Foto: Ésio Mendes / Secom – Governo de Rondônia)

Leitos mais próximos

Juína, que está a 465 km de Cacoal, é o município de Mato Grosso mais próximo da cidade de Rondônia, com leitos aptos para receber pacientes com covid. No Hospital Municipal de Juína, existem 13 leitos de enfermaria e seis de UTI pactuados com o governo do Estado.

Do total de leitos clínicos, 10 estão vazios. Já entre as UTIs,  apenas uma ainda está disponível.

No município, que possui 40,9 mil habitantes, 16 pessoas com covid estão sendo monitoradas e 15 óbitos foram registrados desde o começo da pandemia. Ao todo, 124 pessoas já se recuperaram da doença na cidade.

Prefeito de Juína, Altir Antônio Peruzzo (PT) afirma que a situação de colapso no Estado vizinho preocupa. “Principalmente, pelo contexto, porque somos uma cidade não muito distante [de Cacoal] e também somos uma cidade polo”.

Ele afirma que a estrutura da saúde municipal não é tão grande e que a equipe já está no limite. “Não estamos em colapso, mas também não estamos com equipe sobrando. E na medida em que as cidades maires vão entrando em colapso, ficamos preocupados se isso pode vir a acontecer por aqui também”.

Peruzzo afirma que Juína ainda não tem pacientes vindos de Rondônia.

(Foto: Assessoria/ Prefeitura de Cáceres)

Outro município relativamente próximo de Cacoal e que possui leitos aptos para receber pacientes com covid é Cáceres, que está a 764 km de distância do município rondoniense.

Lá, são 10 leitos de enfermaria compactuados com o governo de Mato Grosso e instalados  no Hospital Regional Dr. Antônio Fontes. Deles, seis estão ocupados. Há ainda outros 31 leitos de enfermaria e 10 de UTI no Hospital São Luiz, sendo que 20 leitos clínicos estão ocupados e não há mais vagas nas unidade de terapia intensiva.

O prefeito Francis Maris (PSDB) afirma que a situação está relativamente sob controle e se diz otimista com a medida anunciada nesta quarta-feira (22): a distribuição do kit contra covid, com medicamentos que serão entregues à população.

“Amanhã [quinta-feira, dia 23] o governador Mauro Mendes (DEM) virá a Cáceres para conferir as obras de implantação de 10 leitos de UTI no Hospital Regional. As obras já estão prontas. Daqui, ele vai a Pontes e Lacerda para assinar convênio com a Santa Casa de Misericórdia para liberar 10 leitos de UTI. Acredito que com essas 20 UTIs também seja possível atender os municípios vizinhos lá de Rondônia”, explica o prefeito.

Pandemia em Rondônia

A situação do Estado vizinho é muito parecida com a de Mato Grosso. Rondônia, conforme informações da Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), tinha até esta terça-feira (21), 29,8 mil casos confirmados de covid e 710 óbitos.

Ao todo, o Estado vizinho possui 432 pacientes internados, dos quais 295 estão na rede estadual de saúde, 85 na rede privada, e 52 na rede municipal. Em Cacoal, onde o Hospital Regional entrou em colapso, são 518 casos confirmados e 7 óbitos.

Em comunicado publicado no site do governo de Rondônia, o secretário-adjunto de Saúde do Estado, Nélio de Souza, afirma que vai até Cacoal com uma equipe para dar uma resposta ao colapso enfrentado na unidade de saúde referência para a região.

O secretário considera que alternativa a Cacoal são os municípios de Guarajá-Mirim (distante 800 km) e São Miguel de Guaporé (distante 200 km).

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