Bloqueio total de cidades com alto risco para covid afetaria população de outras 41

Elas estão em alerta vermelho, segundo o governo do Estado, mas fechar suas fronteiras significaria deixar outras cidades sem acesso à saúde

(Foto: Reprodução/ Site Só Notícias)

Não é só Cuiabá. Municípios do interior de Mato Grosso classificados com risco muito alto de contágio pelo novo coronavírus (alerta vermelho) não vão adotar de imediato o bloqueio total de suas atividades econômicas e fronteiras. A implantação do lockdown está sendo ponderada pelos prefeitos, mas depende também do “voto” de cidades vizinhas, que serão atingidas pela medida.

Sinop, Cáceres e Alta Floresta são exemplo disso. Elas estão na lista de alto risco de incidência da covid-19, com a taxa de contágio superior 1.000%. Mas o bloqueio de acesso a elas afetaria o atendimento em saúde à população de outras 41 cidades, que dependem dos hospitais regionais instalados nesses três municípios.

Alta Floresta 

A situação mais complicada está em Alta Floresta (800 km de Cuiabá). Conforme a tabela de risco divulgada nessa quarta-feira (17) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o número de novos já aumentou em até 1.033% em apenas 7 dias. 

O município já teve 68 casos positivo para a covid-19 e outros 43 estão ativos, ou seja, são pessoas continuam doentes e estão sendo monitorada pela Vigilância de Saúde. A incidência está em 131 diagnósticos para cada grupo de 10 mil habitantes. 

“Essa recomendação do governo, de lockdown, por enquanto, é uma especulação. Não recebemos nada de oficial até o momento e só vamos passar a tratar desse assunto quando houver a recomendação oficial”, disse o secretário de Saúde, Marcelo de Alécio Costa. 

O município estabeleceu toque de recolher há pouco mais de três semanas, com as atividades comerciais e a circulação de pessoas permitidas somente até às 21h, diariamente. 

Por lá, ainda não há leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) exclusivos para a pandemia disponíveis no Hospital Regional. Segundo o secretário, os pacientes que necessitam de tratamento hospitalar para a covid-19 estão sendo enviados para Cuiabá. 

“Mas temos 14 leitos de enfermaria exclusivos para a covid-19 no município, dos quais três estão ocupados”, disse. 

O Hospital Regional de Alta Floresta é referência em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para outros cinco municípios nos redores. 

(Foto: Reprodução)

Cáceres 

O bloqueio de Cáceres (214 km de Cuiabá) é o que atingiria o maior número de municípios na rede atendimento do Hospital Regional. A unidade atende 22 cidades ao redor, onde não há hospital com estrutura necessária para receber pacientes em situação grave. 

Conforme o secretário de governo do município, Jorge Augusto, a prefeitura passou a adotar toque de recolher apenas no fim de semana. A proibição se estende das 22h de sexta-feira e vai até às 5h da segunda-feira.

Já o lockdown vai depender dois fatores: os efeitos do toque de recolher e uma decisão em conjunto com as outras 22 cidades. Uma reunião por meio de viodeconferência estava prevista para esta quinta-feira (18). 

A prefeitura já está com o decreto pronto, mas precisa discutir o assunto com os outros municípios. Não podemos fechar os acessos do dia para a noite. Se não houver resultado positivo do toque de recolher, então o lockdown será implantado”, disse o secretário. 

Conforme a tabela de risco da SES, Cáceres já teve variação de 240% nos casos da covid-19. O município já teve 51 diagnósticos confirmados e outros 43 estão em monitoramento. A incidência está em 54 casos para cada grupo de 10 mil habitantes. 

Sinop 

Quatorze municípios dependem do Hospital Regional de Sinop (505 km de Cuiabá). E, segundo a prefeita Rosana Martinelli, não há previsão de bloqueio dos acessos ao município por recomendação do governo do Estado. 

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A medida mais restritiva por lá vai ser intermediária: o toque de recolher. A partir desta sexta-feira (19), o comércio e a população ficam proibidos de circular pelas ruas a partir das 22h30 às 9h30 do dia seguinte. A medida será válida até o dia 5 de julho.

“Nosso estudo mostra que estamos passando pelo pico agora. E eu diria que 70% da cidade está em situação normal, precisamos controlar para não crescer aceleradamente”, disse. 

Hoje, a cidade conta com 20 leitos de UTI disponíveis exclusivamente para a covid-19 e 31 de enfermaria, mas outros 30 leitos simples devem ser abertos em hospital de campanha na próxima semana. 

A tabela da SES mostra que Sinop já teve 112 casos confirmados da covid-19. Outros 81 estão sendo monitorados. 

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