Avô de bebê indígena que morreu de covid-19 diz não acreditar em laudo

Damião Paridzané, cacique geral da Terra Indígena Marãiwatsédé, afirma que o neto estava gripado e desnutrido

(Foto: Jornalistas Livres/Reprodução)

A vítima mais nova do coronavírus em Mato Grosso é um bebê indígena de apenas 8 meses. A morte foi registrada no dia 11 de maio, em Alto Boa Vista (1.085 km de Cuiabá), segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).

Mas o óbito da criança é polêmico. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para apurar o caso. O intuito é saber se a família da vítima participou de um evento que reuniu cerca de mil índios em Barra do Garças (515 km de Cuiabá).

Agora, o avô da criança, Damião Paridzané, cacique geral da Terra Indígena Marãiwatsédé, diz não acreditar que o neto tenha morrido de covid-19.

“Isso foi uma gripe. É muito comum que as nossas crianças tenham isso nos meses de março e abril”, ele disse em entrevista por telefone ao portal Amazônia Real.

Paridzané afirma que os sintomas de resfriado no bebê surgiram no dia 8 de maio. “Estava tossindo, com febre, desnutrição e diarreia muito forte. Sua irmã, de um ano e meio, estava com sintomas parecidos, mas havia se curado”, relatou.

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O bebê Xavante morava com os pais, a irmã de um ano meio, os avós maternos e ao menos seis tias, todos numa mesma residência em Marãiwatsédé. Ao todo, na aldeia, vivem mais de 600 pessoas.

Antes de ser levada para uma unidade hospitalar, a criança foi tratada com remédios alternativos da cultura indígena.

O líder do território Marãiwatsédé contou ainda que o funeral do bebê foi realizado conforme a tradição Xavante – portanto, sem o lacre do caixão como prevê a norma de prevenção de contaminação do coronavírus, adotada pelo Ministério da Saúde.

O que dizem as autoridades?

O Ministério da Saúde, a Sesai e o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Xavante divulgaram uma nota conjunta de pesar lamentando a morte do bebê.

A Sesai informou que, no momento, faz uma investigação epidemiológica para saber como o bebê foi infectado pelo coronavírus.

O órgão ressaltou que a criança “possuía quadro de desnutrição e desidratação moderada” e era atendida pela Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI).

A Funai publicou uma nota de pesar em seu site, lamentando a morte do neto de Damião e ressaltou que, desde a confirmação do exame positivo para covid-19, tem acompanhado de perto Marãiwatsédé.

Segundo a Funai não foram confirmados novos casos até o momento.

(Com Amazônia Real)

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