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Até quando o Brasil continuará dividido depois das eleições?

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

Quatro dias após o fim do segundo turno da eleição presidencial, no Brasil ainda há episódios de manifestações de insatisfação por parte de apoiadores do candidato derrotado, Jair Bolsonaro (PL). 

Nas ruas, caminhoneiros bloqueiam pistas de rodovias desde a noite de domingo (30) e já causam problemas de desabastecimentos em alguns lugares; nas redes sociais circulam vídeos de pessoas comemorando informações falsas (fake news) de ministros presos em flagrante, sem se saber o motivo, e a comprovação de suposta fraude no processo eleitoral. 

Os casos foram alimentados, em parte, pela demora do presidente Jair Bolsonaro de vir a público para reconhecer a derrota, mas não começaram por conta disso. As origens da polarização e da violência na política podem ser rastreadas desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC), quando os protagonistas da disputa eram PT e PSDB. 

A novidade do momento é o acirramento do conflito.

O resultado saído das urnas é o mais apertado na história da eleição presidencial. O mapa de votação do segundo turno mostra um Brasil dividido ao meio, com a parte de acima (Nordeste e Norte) dominada, na média, pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a de baixo (Centro-oeste, Sul e Sudeste) por Bolsonaro. 

“É um resultado até mais apertado do que foi entre a Dilma [Rousseff (PT)] e o Aécio [Neves (PSDB)] na eleição de 2014. Neste ano, mudaram os atores – o lado do PSDB passou para Bolsonaro e Lula continua no lado do PT. Mas agora não é mais só uma disputa entre candidatos adversários, mas entre pessoas, que caíram na política do ódio”, diz o analista Onofre Ribeiro. 

Política fora do cercadinho 

O analista diz que o cenário de votos não significa que o país viverá uma divisão fixa. Contudo, pode servir de diagnóstico da situação política do país entregue a Lula, quem deverá controlar o leme a partir de 2023. 

Se havia uma esquerda mais ou menos homogênea no país, até então, parece surgir uma direita, também mais ou menos uniforme, em contraposição.

(Divulgação)

Essa direita emergente brasileira está vinculada à figura de Bolsonaro (o bolsonarismo), uma formação característica dos povos latinos – além do próprio lulismo, pode-se enumerar várias personalidades políticas que se transformaram em substantivo para as ideias e modelos políticos em si.  

“Pra gente acalmar a situação e controlar o ódio, Bolsonaro terá que se recolher para o seu lugar privado ao fim do mandato e Lula terá que discursar fora do cercadinho da esquerda. Nós estamos vendo se consolidar uma parte da população que mostrou a força da sua voz e é contra aquilo que a esquerda procura. É uma população voltada para o mercado, a independência e valores tradicionais. Isso não quer dizer que eles sejam da extrema direita”, explica Onofre. 

Mudança de linguagem 

O cientista político João Edisom diz ver a necessidade de mudança de linguagem dos políticos. A avaliação é que, tanto Bolsonaro quanto Lula, falaram até às campanhas para os seus públicos cativos. E, no caso do petista, a reversão é mais urgente, por ser o responsável por representar os brasileiros pelos próximos anos. 

“Lula teve mais votos no Norte e Nordeste porque ele fala a língua dessas pessoas, aí você pode traçar todo o histórico de vida de Lula: a entrada na vida política, como atuar em todos esses anos, estando ou não em algum cargo. O mesmo caminho vale para Bolsonaro e os votos que ele teve na região Sul e Sudeste. Mas, quem governa um país não governa para 50%, governa para todos”, comenta. 

João Edisom também diz não ver uma duração dos atritos entre esquerda e direita, a tendência, para ele, é que, com o distanciamento do fim do processo eleitoral, os ânimos se acalmem. Isso, no entanto, dependerá como o presidente eleito lidará com os satisfeitos e com os insatisfeitos. 

Na prática, terá que ser mostrado habilidade para aquilo que é basicamente a política: conversa e convencimento.  

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

“As pessoas que votaram no Lula acharam que fosse melhor para governar o país daqui pra frente; as pessoas que votaram no Bolsonaro acharam que ele fosse o melhor. Elas não querem o conflito. A manifestação de direita ou de esquerda faz parte da vida política. Os líderes políticos precisam ter habilidade de convencimento para lidar com a outra parte”, explica. 

A diferença de votos entre Lula e Bolsonaro ficou em torno de 2,2 milhões, o que em um país com mais de 100 milhões de eleitores é praticamente a diferença necessária para definir o vencedor.  

Mato Grosso, que está longe dos colégios eleitorais mais importantes no país, numericamente, teve 2,4 milhões de votantes aptos nas eleições deste ano.

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