Alunos e professores fazem abaixo-assinado contra o uso de drogas na UFMT

Reitoria até abriu processos para investigar denúncias, mas nenhum resultado apareceu até o momento

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Estudantes e professores do campus de Cuiabá da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriram um abaixo-assinado em protesto contra a disseminação do uso de drogas  nos blocos das faculdades.

A lista foi iniciada pela comunidade acadêmica da Faculdade de Administração e Ciências Contáveis (FACC) em janeiro, após um comunicado ser ignorado pela reitoria do campus.

As pessoas reclamam de seguidos atos de violência, como assalto e roubo, além do mau-cheiro da droga e da convivência cotidiana com usuários, que não têm hora e nem lugar para acender cigarros de maconha e consumir bebida alcoólica.

Entre os usuários estão outros estudantes, mas também pessoas de fora do ambiente acadêmico.

“A situação caótica está piorando cada vez mais. Já chegamos ao ponto de grupos de usuários se reunirem ao lado da diretoria da faculdade e ninguém falar nada. A reitoria mudou a sala da diretoria da FACC, mas não mexeu com os usuários”, diz a professora Cecília Arlene Moraes.

A presença de usuários de drogas dentro da UFMT tem tornado o campus um ambiente inseguro para muita gente (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Há alguns meses, Cecília teve o carro roubado no estacionamento da universidade. Outro professor foi rendido por homens armados e perdeu o carro e o notebook.

Eles entraram para a lista de pessoas que sofreram algum tipo de violência dentro do campus – roubo de veículo, assalto à mão armada e ameaça de morte, com arma de fogo apontada para a cabeça.

Os crimes, diz a professora, são insuflados pelo consumo da droga. “Eu entendo que onde há consumo de droga, há tráfico. Eles [usuários] precisam fazer isso para ter dinheiro para manter o vício e a comunidade acadêmica, que vai para a faculdade para se qualificar, está sendo vítima”, ela reclama.

Problema crônico e falta de segurança

Outro docente ouvido pelo LIVRE disse que já foi identificada a circulação de traficantes pelos blocos de Agronomia, Contabilidade e Medicina. Eles teriam “passe livre” para vender drogas e estudantes para consumir.

“Eles estão lá, feito uma imagem da própria paisagem. É comum encontrá-los por aí, nos blocos de Agronomia, Medicina e Contabilidade. A reitoria não quer enfrentar os usuários, parece que não quer conflito com eles”, afirmou.

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No manifesto entregue à reitoria, no dia 23 de janeiro, há indicação de que a situação não é nova. Processos para apurar denúncias de violência e consumo de drogas foram abertos duas vezes no ano passado. Mas, até o momento, não foi divulgado resultado da apuração.

Uma investigação interna, até hoje, não teria surtido em resultados práticos para conter os usuários e traficantes (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

E o comportamento da reitoria, classificado como “negligente” por alguns professores, influenciaria as ações da Base da Polícia Militar instalada no campus.

“As pessoas têm a ideia de que a universidade é um lugar livre. Mas elas confundem liberdade com libertinagem e fomentam o crime. E porque a própria reitoria age dessa forma, a polícia fica sem ter o que fazer”, diz a pessoa que preferiu não se identificar.

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10 COMENTÁRIOS

  1. Isso existe desde sempre. A FACC fica ao lado do ICHS. Fumam maconha como se fossem adultos, mas escondem dos pais o que fazem. Se brincar louça da pia ta suja, não molha as plantas pra mãe e reclamam de ajudar nas despesas de casa trabalhando. #paz

  2. Protocola a denuncia de alguma forma. Aí é possível cobrar. Se tiver provas junte ao processo. Existe um sistema chamado SEI. Existe base da PM ao lado da UFMT. Acredito que seja pouco produtivo fazer abaixo assinado… Sabem qual é o governo atual? Imagina como anda o orçamento das universidades em tempos de obscurantismo….

  3. AAAAH… Agora é que os isentões, a galera do “não é comigo, deixa os caras fumarem porque eles não incomodam ninguém”, acordaram! No mínimo já andaram levando umas prensas , já foram assaltados, molestados…. Tá certo!

  4. É uma falsa verdade. O campus é aberto a todos, muitas vezes acontecem furtos, principalmente de notebooks e bicicletas, mas como tem poucos seguranças e poucas câmeras a maioria dos casos passa impune sim. Porém é uma inverdade acusar os estudantes que fumam maconha como agressores e violentos. Acontece que os próprios estudantes fazem vista grossa para certos usuários que não tem a vida boa dos estudantes da classe média e esses se aproveitam pra pedir bebida, usar entorpecentes, furtar, porque não entendem muito bem o espaço que estão justamente por se tratarem de “comunidade externa” que veio de “backgrounds de violência”. Enfim, só quero ainda relatar que tempos atrás roubaram uma bike minha e foi encontrada em uma sala da própria Ufmt, porque um dos terceirizados (da própria segurança) achou uma boa ideia furtar dentro do campus, uma vez que o mesmo sabia onde tem ou não tem câmera, da mesma forma isso já aconteceu com tv e outros aparelhos. Muito fácil culpar os maconheiros, quando o problema é bem mais embaixo, vai dá pobreza e da miséria até a falta de educação e caráter de alguns. Sobre a comunidade externa, é só olhar a diferença dos banheiros “abertos ao público” e dos banheiros mais internos usados só por estudantes. Só reparem nisso. Falta cameras.

  5. Isso é antigo já tive uma moto roubada dentro da UFMT se foi ladrão ou usuários de drogas que frequentam a UFMT para cometer ilícitos não me interessa são iguais. Consumir, vender e práticar roubos no Campus sempre foi normal. Como a Polícia não pode entrar os bandidos agem livremente muitas das vezes alunos e os consumidores são diversos de dentro e de fora que vai lá fazer uso. O maior problema é que os maconheiros não respeitam o espaço de quem não consomem drogas e tem alguns que se acham e sempre estão alterados.

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