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Afinal, há medicamento para tratar a covid? Médico diz que sim

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Reinaldo Fernandes

A declaração do governador Mauro Mendes (DEM) nesta semana sobre o tratamento precoce da covid-19 trouxe para primeiro plano, em Mato Grosso, uma polêmica que vem debatida há algumas semanas no país: a eficácia do medicamento que está sendo prescrito na fase inicial da doença e seus efeitos colaterais. 

Todos são integrantes do pacote de tratamento que ficou conhecido como kit covid-19 e  acompanham a situação da cloroquina, hidroxicloroquina e do vermífugo anita, ou seja, falta de consenso entre pesquisadores de que eles realmente funcionem. 

Para alguns médicos, é indiscutível: o tratamento é, sim, eficaz, se iniciado quando o paciente ainda está nos primeiros dias de sintomas. Vale ressaltar, aliás, que é nessa fase que a pessoa mais transmite o novo coronavírus para outras. 

Governador Mauro Mendes, que teve a versão assintomática da covid-19, disse que seu tratamento foi realizado com ivermectina e azitromicina (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O clínico geral Carlos Augusto Carretoni, médico contratado de deputados estaduais, é um destes profissionais. Ele afirma que nos últimos 30 dias atendeu cerca de 200 pacientes da covid-19, entre casos leves, moderados e graves.  

A prescrição de invermectina e azitromicina, por exemplo, serviu para combater a carga viral dos pacientes na primeira fase do contágio. Ele salienta é que esse combate pode eliminar a evolução da doença.  

“Eu digo com segurança que a medicação para os pacientes com casos leves foi 100% eficaz. Não estou dizendo que um pacote de medicamento deve ser distribuído no farol. Mas se for aplicado na aparição dos primeiros sintomas, o paciente não chegará ao quadro grave”, disse. 

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Caso a caso 

O médico, com registro 3573 no Conselho Regional de Medicina (CRM), afirma que tem tido “experiências de sucessos” no tratamento de seus pacientes e tem adotado o método de observar a situação de cada um para indicar a medicação. 

E a polêmica sobre a medicação teria um motivo bem específico: não há resultado confirmado para os pacientes que já possuíam alguma comorbidade. E é isso, segundo ele, que suspende a orientação generalizada de uso dessas drogas. 

“Os pacientes diabéticos e com obesidade realmente precisam ser acompanhados de perto. Eles estão tendo manifestação diferente da doença por causa do quadro inflamatório. Mas é possível evitar esse quadro nos pacientes que ainda não chegaram lá, por meio da ivermectina, azitromicina”, pontua. 

A defesa dele para prescrição está em algo que a ciência já identificou: as pessoas com morte declarada pela covid-19 passam por um processo acelerado de inflamação do organismo 

Começa com os sintomas gripais, evolui para a fase de comprometimento pulmonar (geralmente, com 30% dos órgãos afetados) chega à uma “explosão inflamatória”. 

A posição da ciência 

Presidente do CRM-MT, a médica Hildete Monteiro Fortes afirma que os estudos científicos ainda não comprovaram efeito eficaz desses remédios no tratamento da covid-19. Ela diz que não é possível confirmar a relação dessas drogas entre os casos bem sucedidos, mesmo com a indicação dos médicos que as estão prescrevendo. 

“Isso precisa ser considerado com fator de que todo medicamento tem efeito colateral. A cloroquina, por exemplo, pode causar paralisação facial, arritmia cardíaca”, comenta. 

Hildete integrou o grupo de especialistas que construíram o protocolo de manejo dos primeiros sintomas que deverá ser aprovado pelo governo de Mato Grosso.

Um grupo de medicamentos deve ser disponibilizado, mas a orientação a prescrição em si está sob a autoridade médica, quem decide usar ou não neste ou naquele paciente. 

Remédios do kit covid podem passar a ser usado na atenção básica do SUS, mas médicos ressaltam que eles não possuem efeito preventivo (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

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