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Política

Abilio diz que não assinou contratos e cobra esclarecimentos sobre livros didáticos

Prefeito colabora com investigação,suspendeu contratos milionários e encaminhou documentos aos órgãos de controle
Foto de Lucas Bellinello
Lucas Bellinello

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, apontou possíveis irregularidades na aquisição de livros didáticos pela Prefeitura de Cuiabá e criticou a qualidade de parte do material encontrado durante visita técnica ao almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, nesta sexta-feira (29). A inspeção ocorre após denúncia do prefeito Abilio Brunini (PL) sobre um suposto superfaturamento que pode chegar a R$ 80 milhões em compras realizadas entre 2025 e 2026, período em que a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge.

Durante a visita, Sérgio Ricardo afirmou ter identificado erros ortográficos e de concordância nos materiais e questionou quem autorizou a aquisição. “Quero saber quem foi o gênio que decidiu por isso”, afirmou o conselheiro ao citar supostos erros em uma coleção de livros.

O presidente do TCE também informou que pretende investigar se os mesmos materiais foram adquiridos pela Secretaria de Estado de Educação, já que Amauri Monge atuou anteriormente no governo estadual antes de assumir a pasta municipal.

Prefeito ajuda na investigação

Ao lado do conselheiro, Abilio afirmou que a atual gestão está colaborando integralmente com as investigações e destacou que os fatos apurados não possuem relação com sua administração direta, já que envolvem procedimentos iniciados antes da reorganização da secretaria. Segundo o prefeito, a prefeitura suspendeu aquisições milionárias de materiais didáticos após identificar indícios de possíveis irregularidades.

“Nós conseguimos cancelar e suspender R$ 76 milhões em aquisição de material didático”, declarou.

O prefeito também afirmou que uma empresa teria levado livros ao município sem contrato formal assinado, alegando ter recebido autorização informal de integrantes da secretaria. Segundo Abilio, o atual secretário interino de Educação, Reginaldo Teixeira, estaria sendo pressionado a receber o material.

“A empresa disse que recebeu pedido e trouxe os livros, mas não existe contrato, ordem de serviço ou documento oficial”, afirmou.

Investigações já começaram

Ainda conforme o prefeito, a Controladoria-Geral do Município abriu investigação interna e os documentos serão encaminhados ao Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Civil e Polícia Federal para análise.

Abilio ressaltou que não questiona a capacidade técnica do ex-secretário Amauri Monge, mas os motivos que levaram à priorização da compra dos materiais em detrimento de outras necessidades da rede municipal, como manutenção das escolas e aquisição de produtos básicos de limpeza.

A visita ao almoxarifado ocorreu com presença da imprensa e integra a apuração sobre a compra dos livros didáticos que, segundo a prefeitura, pode ter gerado prejuízo milionário aos cofres públicos.

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