A força do povo brasileiro frente à pandemia

Foto: Cb Estevam/Exército Brasileiro

Falarmos em pandemia após 18 meses vivendo este cenário parece redundante, mas tratar dos aspectos singulares setorizados que sofreram influência desta crise sanitária merece destaque. Fomos encarcerados por um vírus invisível, que nos trouxe medo, aflição e, mais que tudo, incerteza. Incerteza essa que abarcou desde os maiores projetos de expansão empresarial até um simples indivíduo singular na menor cidade do mundo.

Mesmo em meio a uma série de relatos e previsões, temos que reconhecer que o futuro se tornou uma incógnita. Em função disso, é preciso fazer uso de uma gama gigante de informações para tomarmos decisões e traçar estratégias em busca de oportunidades de superação. E nisso o brasileiro é craque.

As previsões mudam dia a dia. O boletim Agência Focus do Banco Central, do último dia 20, já nos mostra que os ‘leões’ dos indicadores econômicos voltaram a nos atormentar. A famigerada inflação bate a nossa porta com a perspectiva de 7,11% ao ano. A valorização do dólar assusta, batendo a casa dos R$ 5,10. Havia, inclusive, uma previsão de que chegasse a R$ 5,20 em 2022, valor já ultrapassado nesta semana.

A desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar possui pêndulos perigosos para qualquer estabilidade econômica. O indexador de remuneração da dívida pública já está com 75% dos dois dígitos tão temidos de anos atrás. Vemos no fim do túnel uma expectativa de um PIB batendo a casa de 5,27% no ano de 2021, logicamente alavancado pelo agronegócio e capitaneado pelo Estado de Mato Grosso – grande representante da produção agrícola no país.

Todas essas informações são cruciais para traçarmos ações que possibilitarão nos “mantermos de pé” e tentar nos adequar a este momento tão instável da economia brasileira. Mas o maior medidor do impacto econômico na vida do cidadão é a sensação da perda do poder de compra das famílias: o dinheiro que sai do bolso para arcar com as necessidades básicas e usuais do dia a dia da maioria da população brasileira.

Cabe a cada um de nós mensurar o quão forte isso está em nosso cotidiano. Apesar de observamos a retomada de postos de trabalho nas últimas semanas, percebemos que ela ainda é tímida, não conseguindo, sequer, trazer a esperança ao rosto do povo brasileiro. O comércio – justamente aberto – espera com medo o cliente em seus balcões e, os clientes, vão em busca de sua rotina de consumo com o mesmo medo do empresário de varejo.

O equilíbrio econômico é a relação perfeita da junção dos meios de produção e do consumo, gerando para si só o pleno emprego da força motriz do sistema de geração de emprego e renda. Então, precisamos que, desde o mais simples comerciante até o maior plantador de grãos do país, tenha condições de manter essa roda girando, na perspectiva que a distribuição de renda – originada pelo emprego das relações comerciais – chegue a todos.

Como dizia um de meus decanos docente no “Pleno Emprego”: tudo é lindo! Mas precisamos chegar próximo da melhor forma de equilibrar esse mercado. Como apreciador das ideias de Keynes, aguardo profundamente políticas macro de intervenção na economia pelo Estado, sempre que necessário, com a finalidade de evitar a retração econômica. Mas, infelizmente, o que estamos assistindo é uma guerra política e intensa polarização que acabam gerando um cenário de instabilidade.

Precisamos ter senso de julgamento e focar nos pontos que possibilitem a retomada do crescimento econômico e a aplicação de nossa força de trabalho para gerar renda e, assim, retornar a um cenário anterior ao da pandemia.

Do poder público, ações de assistência financeira e voltadas a grupos vulneráveis se faz mais que necessário e urgente. Tivemos os auxílios emergenciais que fizeram com que o impacto da ausência de receita imediata das famílias em situação de maior dificuldade financeira fosse esticado para meses futuros. No entanto, o simples dispêndio de recursos governamentais, sem contrapartida produtiva, fomenta a quebra do ciclo econômico e a ociosidade dos meios produtivos prejudica a cadeia produtiva. O auxílio foi necessário, crucial e sua permanência controlada e segmentada deve ser perene, mas as ações macro de retomada da economia precisam surgir o mais rápido possível.

É incrível como podemos falar horas de economia e até neste diapasão esquecer que o centro da discussão é uma crise pandêmica, porém todos esses pontos aqui elencados necessitam de um empurrão profilático: a VACINAÇÃO PRECISA AVANÇAR para que possamos colocar em prática nosso talento em produzir e em superar tempos ruins. Afinal, somos brasileiros e o povo brasileiro NÃO DESISTE NUNCA!!

EROALDO OLIVEIRA – é economista, C.E.O da Unimed Cuiabá e conselheiro titular do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso (Corecon-MT)

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorConcurso da Câmara de Cuiabá: candidatos podem consultar horários e locais de provas
Próximo artigoNorte e Centro-Oeste têm recuperação econômica mais intensa