Cidades

Cabo Gerson diz que precisa explicar melhor os fatos e pede para ser reinterrogado

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Camilla Zeni

O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Junior, pediu à 11ª Vara Criminal de Cuiabá para ser reinterrogado sobre o caso de escutas ilegais, que veio a ser conhecido como Grampolândia Pantaneira. Ele alega que ainda restam pontos a serem esclarecidos. No pedido, que foi protocolado no no dia 3 de agosto, ele também volta a pedir que o governador Pedro Taques e o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, sejam arrolados como testemunha. O juiz Murilo de Moura Mesquisa, responsável pelo processo, ainda não se manifestou.

A defesa do militar, patrocinada pelos advogados Neyman Augusto Monteiro e Thiago de Abreu Ferreira, alega que Gerson acabou prejudicado pelo horário da audiência, que durou mais de 15 horas, no dia 27 de julho. Na ocasião, Gerson foi o último a ser interrogado, já na madrugada do dia 28. O depoimento acabou por volta das 5h.

Conforme os advogados, após uma análise do interrogatório, eles acreditam que ainda há pontos para serem melhor esclarecidos ao magistrado e Ministério Público. Alegam que o reinterrogatório é imprescindível e apontam que  Gerson foi o único dos réus que “buscou mostrar a verdade da grampolândia pantaneira”.

[featured_paragraph]“Após o acesso ao interrogatório e minuciosa análise, tanto do interrogado bem como de seus defendentes, restaram prejudicados alguns pontos a serem melhor esclarecidos e explicitados tanto para o órgão acusador bem como ao magistrado e os juízes coronéis”, diz trecho do pedido.[/featured_paragraph]

No mesmo documento, a defesa pede que o magistrado solicite junto à empresas de telefonias o relatório de chamadas que possam comprovar todos os fatos apresentados pelo militar em seu interrogatório. É pedido extrato de ligações originadas e recebidas para os telefones do ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, e do coronel Evandro Lesco.

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Ainda, pedem que o magistrado solicite com o Google, que gerencia os “gmails”, o endereço de IP utilizado no envio de três emails, que saíram da conta Google do coronel Zaqueu Barbosa. Em juízo, ele afirmou que os emails teriam sido encaminhados pelo cabo Gerson, que tinha sua senha pessoal.

“Outrossim, em virtude dos esclarecimentos carreados aos autos, torna-se necessário ouvir na qualidade de testemunha as pessoas de Paulo Cesar Zamar Taques e José Pedro Taques”, diz outro trecho do documento.

Audiência
O cabo da PM foi o quinto a depor sobre a grampolândia, em uma sessão que levou mais de 15 horas para ouvir todos os réus. Na ocasião, Gerson Corrêa confessou sua participação no esquema, detalhou sobre o funcionamento e disse que Paulo Taques chegou a financiar o início da central de escutas ao pagar R$ 50 mil para que entrasse em funcionamento, ainda em 2014. Na época, Paulo Taques era coordenador de campanha do governador.

Durante a sessão, além de detalhar a função de cada um dos envolvidos, Gerson chegou a inocentar o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da PM. Disse que os donos do esquema seriam Paulo e Pedro Taques, “longe da Polícia Militar”.

O caso
O esquema de grampos ilegais foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque à Procuradoria Geral da República (PGR), à quem afirmou que o governo do Estado tinha conhecimento sobre as escutas ilegais instaladas em Mato Grosso.

Inicialmente, o pedido de interceptação telefônica foi autorizado pela Justiça Estadual, mas teve a finalidade alterada depois que número de pessoas sem envolvimento em crimes terem sido incluídos – uma manobra chamada de barriga de aluguel.

Depois de ter alertado o governador Pedro Taques, Zaque procurou a PRG, em janeiro de 2017. O escândalo veio à tona após uma reportagem veiculada pelo Fantástico, em maio de 2017, na qual o promotor reafirma as denúncias.

 

 

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