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Mato Grosso

“Meu pai não é cachorro, merecia socorro”, desabafa filha de verdureiro morto por médica

Foto de Gabriele Schimanoski
Gabriele Schimanoski

A filha do verdureiro Francisco Lucio Maia, morto atropelado por uma médica na avenida Miguel Sutil, no último sábado, 14, fez um desabafo nas redes sociais pedindo por justiça. Francy Silva disse que a dor é muito grande e que nada irá trazer o pai de volta. “Meu pai não é cachorro, merecia ao menos socorro”.

O casal de médicos, Letícia Bortolini e Aritony Alencar Menezes, teria fugido do local sem prestar socorro. A médica – que dirigia o carro –  foi autuada por homicídio culposo e omissão de socorro. E acabou presa em sua residência depois de ter sido seguida por uma testemunha que presenciou o crime e informou à Polícia.

Segundo informações da Polícia Judiciária Civil (PJC), a médica conduzia um Jeep Compass branco, estava acompanhada do marido, e apresentava sinais de embriaguez na hora da detenção. No boletim consta ainda que o marido da médica também foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, no entanto, teria fugido do local.

A vítima foi atropelada quando terminava de atravessar a avenida, ao tentar subir o carrinho de verdura na calçada, e não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito no local. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Prisão Preventiva

O delegado de plantão não permitiu fiança e a médica passou por audiência de custódia realizada no Fórum da Capital, no domingo, 15. A juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 11ª Vara da Justiça Militar e Custódia de Cuiabá, negou a soltura da médica Letícia Bortolini e determinou a conversão da prisão em flagrante para preventiva, sob argumento de assegurar a ordem pública.

“Desse modo, superada a demonstração de materialidade e presentes os indícios de autoria, chega-se a inferência de que a ordem pública será abalada se a autuada for posta em liberdade, ante o modus operandi empregado na prática delitiva, onde demonstra, per si, a personalidade criminosa da ré, tenho que sua prisão preventiva deve ser decretada, com fim de assegurar a ordem pública”, diz trecho da decisão da magistrada.

Ainda conforme a juíza, Letícia, por ser médica, tinha o dever e poder de prestar socorro à vítima, o que não fez.

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