O chefe de uma facção criminosa, Sandro da Silva Rabelo – Sandro “Louco” – operou um mercadinho na Penitenciária Central do Estado (PCE) por cerca de 10 anos. Ele diz que comprava produtos e alimentos para a Associação dos Servidores da Penitenciária Central (Aspec) e revendia para os presos.
O comércio ilegal foi confessado pelo próprio Sandro “Louco”, que foi gravado em vídeo divulgado pelo site G1 de Mato Grosso. A informação deu origem à operação da Polícia Civil deflagrada nesta terça-feira (03.11) para apurar a ligação de servidores com o crime organizado.
Conforme Sandro “Louco”, chefe do Comando Vermelho em Mato Grosso, o faturamento mensal com as vendas para presos chegava a R$ 75 mil. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) diz que, mesmo sem fim lucrativo, a Aspec movimentava até R$ 13 milhões ao ano.
A ideia de instalar o mercadinho teria surgido em 2012, entre Sandro Louco e outro preso. Ele disse que a intenção era superar a burocracia de entrada de alimentos e produtos na PCE. A direção do presídio na época saberia do plano.
“Nós passamos esse projeto para a direção, a direção levou até à secretaria [responsável pela administração do presídio], a secretária [não nomeada] fez uma análise e viu que iria entrar muito dinheiro, aí eles pegaram esse projeto e levantaram eles mesmo com a Aspec, que fornece compra pra nós”, diz Sandro “Louco”.
Segundo ele, o mercado funcionou de 2013 até o final de 2022. O lucro quinzenal variaria entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. Sandro “Louco” afirmou que o seu mercadinho funcionava como um repositório do consumo de cada preso. Eles comprariam diretamente da Aspec e, quando acabava, a compra era feita no mercadinho.
Ainda conforme Sandro “Louco”, o abastecimento do seu mercadinho também era feito pela Aspec. “Nós faz [sic] a lista, manda pra eles e eles entregam os produtos aqui dentro. O dinheiro eu arrecadava com as visitas, às vezes passavam para as minhas visitas ou entregavam para um conhecido aí na porta”, afirmou.