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Fantásticos do crossfit: entenda como a modalidade acolhe pessoas com deficiência

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Redação

Marly Dias, 69 anos, procurou um box de crossfit para se socializar. Sérgio Ciquini, 48 anos, queria ser mais independente nas tarefas do dia a dia e Josenir Benedito da Costa, 52 anos, decidiu retomar a vida depois de um acidente traumático. Motivos diferentes, um esporte em comum e, agora, juntos em um desafio.

O grupo, que é improvável aos olhos de quem não vivencia o esporte, já entra na Arena Pantanal, neste sábado (19) e domingo (20), – vão competir no campeonato Regional MT – como vencedores. Devido às limitações físicas de cada um, serão colocados à prova junto com os demais, mas farão os movimentos exigidos de forma adaptada.

Só de pensar, Marly diz que sente um frio na barriga. Ela nunca participou de uma competição esportiva na vida e se aproximou da atividade porque passava por uma forte depressão e precisava se socializar.

“Desde o primeiro dia de treino, me senti bem e acolhida. O pessoal do B.box foi muito legal comigo e confesso que, no começo desta história de competição, eu não queria ir não. Mas o Claudio (coach) disse que era para ser divertido e eu podia ficar tranquila. Agora, estou pronta para dar o melhor”, avalia a atleta iniciante e master ao mesmo tempo.

Outro que também é competidor iniciante é Sérgio. Ele é cadeirante e perdeu o movimento das pernas após contrair poliomielite, conhecida como paralisia infantil, quando tinha 9 meses. Desde então, se movimenta com o auxílio de muletas e cadeira de rodas.

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“Eu sempre quis fazer algo com peso para fortalecer os braços. Eles são a única forma de eu me movimentar. Aí, eu sempre passava na frente da academia e cumprimentava o professor. Até que um dia ele me abordou e perguntou se eu não queria fazer uma aula experimental. Eu fiz e não sai mais daqui”, recorda Sérgio.

O terceiro competidor e mais experiente do grupo é Josenir. Ele traz a frente do desempenho quatro pilares: resiliência, disciplina, foco e vida que segue. Após ser vítima de um acidente de trânsito, o atleta perdeu parte do braço esquerdo.

Naquela época, já treinava crossfit e, ao invés de se afastar da atividade, se aproximou. Em menos de seis meses estava no primeiro campeonato da modalidade e, este ano, vem como capitão da equipe por conta da experiência.

“Eu só tenho a aplaudir os meus colegas. Eles podiam estar sentados em casa e estão aqui. Sem lamentação e vivendo. Para a competição, aconselho calma e nada de nervosismo. Porque fazer o movimento afobado pode dar no rep (repetição não contada) e perdermos tempo”, aconselha Josenir.

Crossfit inclusivo: do sonho à realidade

Educador físico e coach do B.box, Claudionor Bulba diz que sempre sonhou em ter um time adaptado porque acredita no poder inclusivo da modalidade. Na visão dele, existe ainda muito preconceito e este sentimento precisa ser quebrado com experiências exitosas.

Quando viu Sérgio pela primeira vez, passando na frente do box, ele cumprimentou e obteve a resposta. Depois viu que os cumprimentos eram constantes e percebeu uma certa curiosidade por parte do futuro atleta. Até que um dia, tomou coragem e resolveu fazer a abordagem.

“Eu não queria parecer hostil, então parei ele com jeito e ofereci uma aula experimental e depois uma bolsa. Ele logo me surpreendeu com a dedicação e resultados. Agora, evoluímos cada dia mais”, afirma.

O processo de adaptação de Sérgio exigiu muito estudo por parte do educador físico, além de adaptações em equipamentos. Um trabalho que ainda não acabou e segue uma dinâmica acelerada e proporcional à modernização constante da modalidade.

Em seguida, outras pessoas com limitações ou em recuperação de lesão foram aparecendo. Entre eles idosos, que antes nem pensavam em trabalhar com peso.

“Meu próximo passo será aprender libras. Meu sonho é ter o box mais inclusivo do Brasil”, conclui.

(Da Assessoria)

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