A equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve começar a se reunir esta semana para debater as políticas de governo. O setor agronegócio terá a participação do deputado federal Neri Geller (PP-MT) e do senador Carlos Fávaro (PSD-MT).
Mas, produtores rurais têm resistência à participação deles como representantes do agro de Mato Grosso. Empresários do setor apoiaram majoritariamente a campanha de reeleição do candidato derrotado, presidente Jair Bolsonaro (PL), à Presidência. E, até o momento, poucos manifestaram apoio a Lula.
“Há empresários sim que estão dispostos a sentar para conversar com o próximo governo, não são todos, mas existem. Nós vamos ter que conversar, abrir espaço, discutir assuntos importantes para todo mundo, não é hora mais de fazer resistência, a eleição já passou”, disse Geller.
Neri Geller e Carlos Fávaro participaram desde o início da campanha da composição do plano de ações voltadas para o agronegócio. O grupo de trabalho é comandado pelo produtor rural Carlos Ernesto Augustin, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Semente de Soja (Abrass), uma das entidades de categoria que divulgou apoio ao governo de Lula.
Os três, no entanto, não são aprovados por parte do agro. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou na semana passada uma carta dizendo não ver “legitimidade” deles como “interlocutores”.
O documento saiu de uma assembleia geral dos empresários associados, que também optaram pela saída da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Congresso Nacional. A decisão desvincula esses empresários do âmbito político na Câmara Federal e no Senado.
“Ao apoiar as políticas do Partido dos Trabalhadores (PT), que, inclusive, apoia invasões de propriedades privadas, Carlos Fávaro, Neri Geller e Carlos Augustin entraram diretamente em divergência com os valores conservadores da classe produtora”, disse a Aprosoja-MT.
Tanto Neri Geller quanto Carlos Fávaro já foram citados como nomes que estão sendo avaliados por Lula para assumir o comando do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a partir de 2023.
A resistência à interlocução deles pode pesar contra a decisão. Lula continua no trabalho de tentar convencer o agronegócio a embarcar em seu governo.




