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Mato Grosso

Henry, nascido há três dias, morreu por falta de UTI Neonatal

Foto de Lázaro Borges
Lázaro Borges

A morte do pequeno Henry, nascido na última segunda-feira (26) com problemas respiratórios, comoveu e enfureceu o promotor de justiça da Comarca de Peixoto de Azevedo, Marcelo Montovani Beato. “Faço uso do presente para, em via de desabafo, noticiar a Vossa Excelência um lamentável episódio”, escreveu o promotor.

Em ofício enviado ao procurador de Justiça Paulo Jorge Prado, Beato diz que o recém-nascido morreu na manhã desta quarta-feira (28) por de falta vaga em UTI Neonatal no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo. O promotor pediu a vaga na Justiça, o judiciário deferiu, e o Estado simplesmente não atendeu a ordem judicial.

O bebê era mantido intubado no hospital e a ventilação era realizada manualmente pelas enfermeiras. Enquanto isso, nada da tão esperada vaga. A demora no cumprimento da decisão judicial fez com que o promotor pedisse ao chefe do Ministério Público, Paulo Prado, ajuda para salvar a vida de Henry.

Nesta manhã, enquanto Beato escrevia as primeiras linhas do ofício que seria enviado a Cuiabá, uma mensagem recebida em seu celular derrubou todas as esperanças: “Não precisa mais, ele faleceu hoje de manhã”, escreveu o pai da criança.

“Henry, infelizmente, não pode vivenciar a “transformação” que esse Estado tanto propaga em suas campanhas publicitárias, abastecidas com milhões es de reais oriundos do erário, mas sem recursos para adquirir um respirador automatizado ou providenciar a abertura de novos leitos de UTI Neonatal”, desabafou o promotor.

O membro do Ministério Público disse que irá se reunir com a família para orientá-los a entrar com nova ação judicial contra o estado. No texto do ofício, que acabou sendo redigido menos com um pedido de ajuda e mais como um sincero desabafo, Marcelo Beato se indigna contra o governo do Estado.

“Um estado que se orgulha dos números crescentes da economia, das lideranças nos rankings de produção e de tantos outros índices financeiros, porém incapaz, sabe-se por quais motivos, de garantir um mínimo de dignidade no tratamento de saúde a crianças e adolescentes pobres, prescrito pelos próprios representantes do Estado.

Outro lado

A Secretaria de Estado de Saúde divulgou nota em que lamenta o ocorrido e afirma que todos os esforços foram feitos para salvar a criança, incluindo a disponibilização de uma UTI aérea. Confira a íntegra da nota:

NOTA À IMPRENSA

O Governo do Estado de Mato Grosso lamenta a morte do recém-nascido Henry, ocorrida nesta quarta-feira (28.03), na cidade de Peixoto de Azevedo. Henry nasceu no dia 26.03 em Guarantã do Norte e foi transferido no mesmo dia para o Hospital Regional de Peixoto de Azevedo devido a um problema respiratório.

Naquela unidade hospitalar, o recém-nascido foi imediatamente entubado e o médico regulador do SUS solicitou a internação dele em uma UTI neonatal nos hospitais da região. Devido à falta de vagas, a Secretaria de Estado de Saúde tentou, sem sucesso, uma vaga em UTI neonatal no hospital de Tangará da Serra.

A UTI aérea foi acionada para fazer a transferência assim que fosse possível obter uma vaga em UTI neonatal. No entanto, o quadro respiratório se agravou e o recém-nascido faleceu às 6h30 desta quarta-feira, antes de sua transferência para outra unidade hospitalar.

A Secretaria de Estado de Saúde informa que atualmente cerca de 550 leitos de UTI recebem financiamento do Governo do Estado e que suas equipes realizam um rastreamento intenso em busca de leitos vagos de UTI sempre que há demandas reguladas. Entretanto, ainda existe no Estado um gargalo de ofertas de leitos de UTIs, principalmente infantil e neonatal.

A Secretaria de Estado de Saúde ressalta ainda que não tem medido esforços para melhorar a rede pública de saúde e tem colaborado com as prefeituras no custeio de UTIs, média e alta complexidade, atenção básica, farmácia e Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE

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