17 de abril de 2026 23:54
Cidades

Vereador tenta proibir uso da linguagem neutra nas escolas em Cuiabá

Foto de Natália Araújo
Natália Araújo

Um projeto de lei que tramita na Câmara de Vereadores de Cuiabá quer proibir o uso da linguagem neutra nas salas de aula da Capital. A proposta já foi apresentada na Casa de Leis e está em análise pelas comissões.

O autor do projeto é o vereador Pastor Jeferson (PSD) e no texto apresentado argumenta que o objetivo é garantir aos estudantes de Cuiabá o direito ao aprendizado da língua portuguesa de acordo com as normas e orientações legais de ensino estabelecidas e com base nas orientações nacionais que versam sobre educação.

Portanto, veda o uso da “linguagem neutra”, a qual, argumenta o vereador, “atende a uma pauta ideológica específica que tenta segregar ainda mais as pessoas.”  Em síntese, para o vereador, o uso de tal linguagem não contribui para o desenvolvimento estudantil dos alunos.

Proposta estadual

Para a rede estadual já existe um projeto semelhante, apresentado pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PSL).

O parlamentar defende que a permissão da inclusão da linguagem neutra nas escolas do estado dificultaria ainda mais o já complexo aprendizado da matéria pelo aluno nas salas de aulas.

Cattani apresentou a proposta em junho deste ano e ainda não há parecer.

Em outros estados

O assunto também tem sido debatido em Minas Gerais. Na capital mineira, Belo Horizonte, o vereador Nikolas Ferreira (PRTB) levou ao plenário o projeto de Lei número 54 de 2021.

O vereador pontua que o pronome neutro não traz aprimoramento à Língua Portuguesa. Pelo contrário, exclui os usuários da Língua Brasileira de Sinais, por exemplo.

Em Santa Catarina (SC), a deputada estadual Ana Campagnolo (PSL) também teve a mesma iniciativa em novembro de 2020. Na proposta, a parlamentar trouxe uma justificativa elaborada pela professora de português Cíntia Chagas.

Justificativas

A especialista recorre ao linguista Joaquim Mattoso Júnior, um dos mais renomados estudiosos do idioma e que explica que “o gênero feminino é, em português, uma particularização do masculino”, algo relativo às características morfológicas da língua portuguesa e não relacionado a um suposto machismo.

Inclusive, Chagas relembra a origem latina da língua portuguesa, a qual tinha três gêneros: feminino, masculino e neutro. “Na passagem do latim para o português, devido à semelhança da terminação masculina com a terminação neutra, adotou-se o masculino para designar o próprio masculino e também o neutro”, explica.

A professora destaca ainda que há palavras que não fazem distinções do sexo a que se referem, a exemplo “dentista”. “Logo, percebe-se a total falta de conhecimento linguístico dos apoiadores dessa causa que se resvala na bizarrice”, define.

Chagas vai além e defende que a cobrança pela implementação do que chama de dialeto neutro é uma pauta ideológica e se mostra não inclusiva.

“Os surdos, por exemplo, teriam dificuldade de fazer leitura labial se o interlocutor fizesse uso da ‘linguagem neutra’, os cegos teriam mais dificuldade de adaptação, uma vez que os softwares de leitura não fazem a tradução não binária; por fim seria imposto aos disléxicos, que representam sete por cento das crianças em fase escolar, maior dificuldade ainda de leitura”, argumenta.

ADI contra o projeto

O Partido dos Trabalhadores (PT) propôs uma ação de incostitucionalidade do projeto catarinense. A reclamação foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda não há decisão.

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(Com informações das Assessorias)

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