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Salário não vale o risco: Médicos e enfermeiros negam falta de profissionais no mercado

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

A dificuldade na contratação de médicos e enfermeiros tem sido notícia desde a intensificação da pandemia em Mato Grosso. Estado e municípios alegam falta de profissionais no mercado disponíveis para assumir os postos na linha de frente da covid-19. 

O caso mais recente aconteceu em Várzea Grande, onde mais de 30 leitos de enfermaria e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) foram abertos sem a contratação de mais profissionais.

Mas, as entidades que representam essas classes trabalhadoras negam a informação passada pelo poder público. 

Elas dizem que o problema é a situação desfavorável que médicos e enfermeiros precisam enfrentar nos plantões em hospitais de referência. Também os salários baixos para se expor ao risco do contágio.

Segundo Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen-MT), um médico na linha da covid-19 tem recebido R$ 1,8 mil por cada plantão de 12 horas.

Para os enfermeiros a oferta é de R$ 2,8 mil para cada 14 plantões de 12 horas. 

Não falta médico no mercado, falta um salário adequado para eles. A situação é de grande risco e estão pagando muito mal”, diz a presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Hildenete Monteiro. 

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

Segundo ela, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) antecipou a conclusão do curso para algumas turmas de Medicina, justamente, para manter o fluxo de profissionais no mercado. Recentemente 22 novos médicos ganharam seus registros. 

Neste caso, os recém-formados podem ser acompanhados por médicos intensivistas, no esquema de um profissional para cada 10 leitos de UTI, podendo chegar a atender até 15 pacientes, conforme uma regra do próprio CRM.  

Quase o dobro da carga de trabalho

O Sinpen-MT também nega a indisponibilidade de trabalhadores no mercado. O quadro mais escasso seria o dos técnicos de Enfermagem e o motivo seria o plantão pesado que eles enfrentam nos hospitais de referência. 

“A reclamação deles [técnicos] é que no [Hospital] Metropolitano, [em Várzea Grande], um está cuidando de sete pacientes, quando deveria cuidar no máximo de quatro”, disse o presidente do sindicato, Dejamir Soares. 

A baixa quantidade de profissionais sobrecarrega os contratados num cenário de pandemia. E a demanda por mais pessoal pode estar represada pela coordenação dos hospitais. 

“Têm muito paciente para pouco pessoal de Enfermagem, mas isso, via de regra, é um problema da coordenação do hospital, que não fez o dimensionamento correto e, por medo de perder o cargo, acaba não passando a situação para a direção”, disse. 

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