Entre 2008 e 2018, o volume de chuvas no Pantanal reduziu 16%. Quer dizer que, ao longo desses 10 anos, a temporada de seca durou cada vez mais tempo e, na úmida, houve menos precipitações.
A constatação é do Centro de Estudos em Limnologia, Biodiversidade e Etnobiologia do Pantanal da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que agora quer entender porque a seca deste ano na região foi tão atípica.
De acordo com o professor Wilkinson Lopes Lázaro, há muitas hipóteses e uma não exclui a outra, necessariamente.
Pode ser um “efeito colateral” da expansão da pecuária sobre zonas úmidas; um padrão cíclico da região ainda pouco conhecido (o Pantanal também pode viver cheias atípicas); influência das mudanças climáticas; ou só uma intensificação do fenômeno La Niña, que resfria as águas do Oceano Pacífico, alterando o clima em todo o continente.
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Mais do que só queimar
Outro fenômeno que o grupo de cientistas da Unemat se prepara para avaliar é o da “decoada”, esperado para o período de chuva após tantos incêndios florestais na região.
Trata-se da diminuição da oxigenação das águas de rios e lagoas por conta da matéria orgânica carbonizada, que chega a esses locais carregada pelas águas das chuvas.
De acordo com o professor, é a decomposição desses detritos das queimadas que contribui para a redução do oxigênio nos rios, o que pode ter efeito avassaladores sobre a fauna. Peixes e outros animais devem morrer asfixiados nesse período.
Além disso, a equipe da Unemat já investiga uma concentração elevada de mercúrio nos peixes da região. Outro fenômeno que pode ter relação com o fogo.
Quando o solo é incendiado, ocorre a liberação de mercúrio, que chega aos rios e contamina as espécies aquáticas. Mas o garimpo ilegal – mais ao Norte, na região amazônica – também é investigado como uma possível fonte de dessa poluição.
(Com Assessoria)




