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Cidades

“Besteiras ditas por pessoas do Governo prejudicam relação com a China”, diz ex-ministro

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Gabriele Schimanoski

O ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que é preciso respeitar os costumes do povo chinês e o relacionamento construído ao longo dos anos entre o Brasil e a China.

Em nota enviada nesta terça-feira (07), o ministro se mostrou preocupado com os rumos da relação comercial entre os países.  Maggi é acionista da Amaggi, uma das maiores empresas de agronegócio no país, que mantém relações comerciais com o país asiático.

“Eu diria que essas besteiras, conversas desconexas e irresponsáveis ditas por pessoas do nosso Governo prejudicam as relações comerciais, e os laços de confiança que ambos governos buscam construir ao longo do tempo”, disse.

Nos últimos 15 dias, declarações feitas por membros do Governo Bolsonaro  responsabilizaram a China pela pandemia do coronavírus e provocaram uma crise diplomática entre os dois países.

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, chegou a manifestar repúdio aos ataques. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também emitiu nota oficial à época informando que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.

Maggi lembrou que durante o período em que foi ministro participou por várias vezes de missões comerciais na China e, segundo ele, aprendeu a respeitar seus costumes.

“O povo chinês tem um orgulho justificado da sua cultura e do potencial que seu país alcançou. Eles prezam pela formalidade, a amizade e o bom diálogo. Nós brasileiros, sobretudo as nossas autoridades, devemos entender e respeitar isso!

Desde 2009, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e tem sido uma das principais fontes de investimento externo no país.

Mato Grosso x China

Das 19,8 milhões de toneladas de soja produzidas em Mato Grosso e enviadas para o exterior, 12,3 milhões foram destinadas à China em 2019. Ao todo, o Brasil enviou para o país asiático no último ano quase 58 milhões de toneladas do grão.

A China também se destaca como o maior comprador de carne bovina e suína do Brasil: foram 913 mil toneladas e 346 mil toneladas, respectivamente, em 2019.

Quanto ao algodão, a China também segue na liderança como o principal mercado para a pluma brasileira. Em 2019, foram enviadas mais de 499 mil toneladas para a China, sendo Mato Grosso responsável por 60% desses envios.

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o comércio bilateral entre os países saltou de US$ 3,2 bilhões em 2001 para US$ 98 bilhões em 2019.

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