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“Falta de fé” afasta novas benzedeiras do ofício

Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

Está cada vez mais difícil achar uma benzedeira em Cuiabá. Elas estão envelhecendo e a expertise não é repassada. Segundo Domingas Eleonor, uma das últimas do São Gonçalo Beira Rio, o problema é a “falta de fé“.

Na opinião dela, os principais requisitos para ser uma boa benzedeira são mediunidade, compromisso, força espiritual e fé.

Uma reza poderosa resolve problemas de arca caída e quebrante, além de males não diagnosticados pela medicina.

“Já curei filha de médico aqui. A menina chegou com os braços cheios de hematomas do soro que tomou no hospital. A mãe fazia de tudo e não achava o que ela tinha. Depois que benzi, a criança voltou a ter apetite e aos poucos se recuperou”.

A benzedeira tem orgulho de ter sangue coxiponês nas veias e explica que aprendeu as artes da bezeção com a avó.

“Ela também era parteira e vidente. Eu sempre a acompanhei. Sempre íamos juntas colher ervas no mato e, apesar dela ter 20 netas, dizia que somente eu tinha condições de ser benzedeira”.

Quando questionada sobre clientes ilustres, ela diz que uma das premissas do trabalho é o sigilo. Porém, assegura que muitos políticos, funcionários públicos de primeiro escalão, bem como artistas nacionais frequentam a casa dela.

“A parte difícil de benzer é que você absorve um pouco daquilo que faz mal para pessoa. Às vezes, fico até adoentada. Acho que estou perto de aposentar”.

Quando a pessoa está muito “carregada”, dona Domingas faz a benzeção do lado de fora de casa (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

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Doenças da alma

A arca caída ou espinhela caída é uma “doença” que aflige tanto adultos como crianças. Ela caracteriza-se por um forte dor no estômago. Também causa vômito, mal-estar e dores no corpo.

Conforme a benzedeira, pode ser curada com reza em no mínimo três sessões. Também  pode exigir banhos e outras orações.

Existe ainda o quebrando, que normalmente vem do contato com pessoas de “sangue ruim”. Nestes casos, é preciso ter muito cuidado.

“Quando sinto que a pessoa está muito carregada, não deixo nem entrar em casa. Faço a benzeção em baixo das árvores porque a energia da natureza ajuda”.

Orar sempre

Um altar vasto mostra que Domingas acende velas para todos os santos. Ela conta que muitos foram ganhados e outros comprados por ela.

São dezenas em cima de uma mesa, repleta de rosas, adorno, luzes e velas.

Desde criança, a ribeirinha sempre teve na igreja católica um ponto de parada. Sempre acompanhou as mais tradicionais rezas e, até hoje, sabe de cabeça até as mais longas.

“Eu e um cururuzeiro somos os únicos a saber de cor a oração de São Gonçalo. Sempre vamos para as festas e chamamos a reza que demora uma hora e meia e tem 25 arranjos”.

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