40% das vacinas contra covid em MT podem não ter sido aplicadas

Mato Grosso é o 21º Estado em número de doses aplicadas, segundo painel do Ministério da Saúde

(Foto: Reprodução/Christiano Antonucci/Secom-MT)

Em Mato Grosso, a falta de logística pode estar contribuindo para a lentidão na vacinação contra a covid-19. Até a semana passada, pelo menos, 40% das doses da Astrazeneca e da Coronavac enviadas ao Estado ainda não haviam sido aplicadas.

Com o percentual, Mato Grosso é o 21º Estado no ranking de vacinação, segundo painel do Ministério da Saúde. Só fica na frente de Sergipe, Tocantins, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá; sendo estes os últimos colocados.

A região Centro Oeste também é a que menos aplicou doses das vacinas contra a covid, até agora. Na região, Goiás lidera e aparece na 10ª colocação. Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal aparecem em 18º e 19º, respectivamente.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande são os municípios de Mato Grosso que (até agora) mais aplicaram doses. No extremo oposto, está Santa Cruz do Xingu. Lá apenas 103 doses dos dois imunizantes foram usadas oficialmente.

“A vacinação está lenta e atrasada. A logística tem que ter sintonia fina. Se temos escassez de vacina, precisamos aproveitar ao máximo a quantidade de doses presentes em cada frasco. É preciso organização e eficiência”, afirmou o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que fez um levantamento sobre o ritmo da vacinação no Estado.

Em nota, o governo de Mato Grosso afirma que recebeu 447.960 doses de vacinas e que, cabe ao Estado, apenas repassar o imunizante. “A estratégia de aplicação é uma competência de cada prefeitura”, afirmou a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT).

Ritmo da vacinação em MT

Segundo o estudo do deputado, das 393.060 doses de vacinas recebidas no Estado (até a data do levantamento), 205.464 doses foram aplicadas, 55.575 estavam reservadas para a 2ª dose e 132.021 não haviam sido aplicadas até a quinta-feira (25). O número representa 39,1% do total de doses recebidas.

“Além da quantidade escassa adquirida e enviada pelo governo federal, há demora entre a chegada da vacina e a distribuição aos municípios, e mais demora depois que a vacina chega aos municípios, dependendo da forma como o município organiza a aplicação da vacinas”, analisou Lúdio.

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Entre os imunizantes, das 191.123 doses da Coronavac/Butatan recebidas para aplicação da primeira dose, 85.754 não tinham sido utilizadas até 25 de março. No caso da 2ª dose, considerando um total de 88.258 doses, 28.347 doses não foram aplicadas ainda.

Já das 52.315 doses da AstraZeneca/Fiocruz distribuídas aos municípios mato-grossenses, todas destinadas à aplicação da primeira dose, 12.492 não foram aplicadas.

Outro problema apontado pelo parlamentar é que 361 doses desse imunizante já teriam sido aplicadas como segunda dose, o que contraria o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação.

O atraso nos dados repassados ao governo federal também é uma hipótese para a diferença nos dados.

“É preciso analisar esses números de forma detalhada, por município, por público-alvo, por laboratório fabricante, por logística de distribuição e aplicação, e quais as explicações para esse desempenho. Se temos poucas vacinas à nossa disposição, precisamos do máximo de rapidez e de eficiência na aplicação, para alcançarmos a melhor cobertura vacinal possível”.

O que fazer?

Para aumentar a eficiência na vacinação, Lúdio recomenda que as prefeituras utilizem a rede de salas de vacinas e a experiência acumulada pelos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), que é referência mundial na imunização de populações.

“Não adianta inventar a roda. Precisamos descentralizar a vacinação, utilizar as unidades básicas de saúde, as salas de vacina que o SUS já tem. Quanto mais descentralizar, melhor. Até porque o público-alvo vai aumentar nas próximas fases”, afirmou.

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