14 de abril de 2026 06:24
Justiça

Zanin confirma: PF já investiga ministro do STJ por venda de sentenças

Foto de Lucas Bellinello
Lucas Bellinello

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou em despacho que a Polícia Federal já investiga um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por possível participação no esquema de venda de decisões revelado pela Operação Sisamnes. É a primeira vez que o ministro reconhece oficialmente a existência de apuração envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.

Zanin não cita o nome do alvo da investigação, mas frisa que se trata de autoridade com foro no Supremo — condição aplicável a ministros do STJ. A sinalização representa uma inflexão relevante: no início do inquérito, o próprio ministro afirmou publicamente que nenhum integrante da corte superior estava sendo investigado.

A manifestação foi uma resposta direta às defesas dos envolvidos na operação, que pediram o envio do caso à primeira instância com o argumento de que não havia qualquer indício contra ministros do STJ. Zanin, contudo, afirmou que já há um procedimento sigiloso em curso para apurar a participação de autoridade com foro privilegiado.

“Reafirmo a competência desta Suprema Corte”, escreveu o ministro.

Conexões já identificadas pela PF

Em relatório anterior, a Polícia Federal apontou vínculos entre investigados e familiares de ministros do STJ. Entre os pontos citados: Diálogos envolvendo Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi, com investigados como Haroldo Augusto Filho e o advogado Roberto Zampieri e p agamentos feitos pela empresa de Haroldo à advogada Anna Carolina Noronha, filha do ministro João Otávio de Noronha.

Embora esses elementos tenham sido mencionados no relatório parcial, Zanin não especifica se o procedimento sigiloso da PF trata exatamente desses casos ou se envolve outras frentes ainda não tornadas públicas.

Clima de tensão no STJ

A investigação tem provocado desconforto interno no STJ. De maneira reservada, ministros admitem incômodo com a falta de acesso detalhado ao inquérito e com a duração indefinida da apuração — pontos já relatados pelo Estadão.

A Operação Sisamnes segue sob sigilo e ainda deve ter novas etapas.

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