Crônicas Policiais

“Vou ser homem do crime”, diz estudante que ameaçou professora e policiais

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Karina Cabral

A audácia e a frieza de um adolescente de 13 anos assustaram uma professora, uma coordenadora e até os policiais que atenderam uma ocorrência que começou com uma ameaça na cidade de Jaciara (150 km de Cuiabá). Além de já ter ameaçado a professora na escola dizendo que “a vala dela já estava pronta”, o estudante ainda disse várias barbaridades na delegacia, entre elas a de que seria um “homem do crime”.

O caso teve início no dia 04 de abril, por volta das 9h30, quando o estudante do 8º Ano de uma escola pública da cidade se irritou com a professora, de 44 anos, por ela pedir que ele realizasse as atividades da aula, levantou-se e começou a dizer palavras agressivas para ela.

A professora, então, teria pedido que o aluno se retirasse da sala e comunicou o ocorrido à coordenadora, que pediu que o aluno se retirasse da escola.

Porém, antes de sair da instituição de ensino, o adolescente de 13 anos disse em voz alta, em tom de agressividade, se dirigindo para a professora: “sua vala já está pronta, você me aguarde, o seu está guardado”. Já para a coordenadora, o estudante disse que ela não passaria dos 90 anos.

Por volta das 11 horas, o estudante retornou à escola, porém, a professora estava acompanhada e ele acabou indo embora. Com medo das ameaças, a professora optou por registrar um boletim de ocorrência para se resguardar.

Já nessa segunda-feira (08), o próprio adolescente acionou a Polícia Militar afirmando ter sido agredido com uma chave de roda por pessoas que estavam em uma caminhonete branca, próximo à escola onde ele teria ameaçado a professora dias antes.

Uma equipe da PM foi encaminhada ao local e encontrou a caminhonete indicada na denúncia. Os policiais deram ordem de parada e mandaram que o motorista e o passageiro descessem do carro, o que foi obedecido imediatamente, de forma bastante passiva.

Os militares revistaram o carro e encaminharam os dois, de 32 e 41 anos, para a delegacia para esclarecer o caso. Conforme informações obtidas pelo LIVRE com a Polícia Militar, questionado o homem de 41 anos negou ter agredido o adolescente, mas confirmou ter tentado falar com o adolescente sobre as ameaças que ele fez à irmã dele, professora do menino, que tinham acontecido há quatro dias.

Segundo o relato do irmão da professora à polícia, o adolescente não quis conversar e saiu correndo, chegando até mesmo a tropeçar e cair diversas vezes no percurso até a casa dele. O passageiro do veículo também negou qualquer agressão e disse também ter ido só esclarecer as ameaças, já que a professora é sua tia.

Depois que os dois adultos contaram suas versões, o adolescente, que estava na delegacia acompanhado da mãe, resolveu falar que na quinta-feira da semana passada, dia 04 de abril, discutiu com a professora e a ameaçou de morte. A partir desse momento, o menino passou a fazer ameaças na frente da mãe e dos policiais.

Entre as ameaças, ele disse que se o irmão e o sobrinho da professora estivessem em casa quando ele supostamente iria matá-la, iria assassinar os dois também e iria beber o sangue dos dois. Em desespero, a mãe dele pediu que o filho parasse de falar essas coisas, porém, o menino repetiu as mesmas falas.

Os policiais então solicitaram que ele não fizesse mais as ameaças, mas, mais uma vez, o adolescente repetiu as frases, acrescentando que não respeitava nem a polícia, nem professores, nem ninguém, que mataria e beberia o sangue dos dois homens que tinham tentado conversar com ele.

A mãe, a todo momento, tentava repreender o adolescente dizendo que não criou filhos para serem criminosos e o menino respondeu dizendo que seria um homem do crime e que se estivesse com o pai dele, os dois familiares da professora já estariam mortos.

Apesar de toda cena presenciada pelos policiais na delegacia, o caso dessa segunda-feira (08) foi registrado como lesão corporal, constando o adolescente como vítima e o irmão e o sobrinho da professora como suspeitos.

Todos os envolvidos foram encaminhados para a Polícia Judiciária Civil, que irá investigar o caso.

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